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sábado, 2 de abril de 2016

Mulher perde guarda das filhas por 'descender de escravos'



MariaDasGraças2
Do Alma Preta
Texto: Pedro Borges / Foto: Priscila dos Anjos
De acordo com o Movimento Negro Unificado, ação do Ministério Público fundamentou-se em preceitos racistas para tirar a guarda de duas crianças de mãe quilombola
Maria das Graças, 47 anos, moradora da comunidade quilombola Toca Santa Cruz, teve a guarda das duas filhas suspensa, ambas menores de 6 anos de idade, por conta de ação do Ministério Público de Santa Catarina. De acordo com o poder judiciário, a mãe não tem condições de cuidar das crianças.
Segundo o Movimento Negro Unificado de Santa Catarina, MNU-SC, entre as inúmeras alegações para o envio das duas meninas ao abrigo Casa Lar Chico Xavier, no município de Biguaçu, está a de que Maria das Graças “é descendente de escravos, sendo que a sua cultura não primava pela qualidade de vida, era inerte em relação aos cuidados básicos de saúde, higiene e alimentação”.
Maria das Lurdes, professora aposentada e coordenadora do MNU-SC, considera essa colocação a prova do racismo existente no judiciário brasileiro. “O que podemos esperar de uma sociedade que tem um sistema jurídico que divide cidadãos de direitos pela cor de sua pele. O que esperar de um Judiciário que faz tal afirmação?”.
Em meio à argumentação sobre o caso, a promotora questionou a não demarcação oficial do território da Toca Santa Cruz, como forma de deslegitimar a identidade quilombola do grupo. Depois da apresentação do documento da Fundação Cultural Palmares e do parecer do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, INCRA, que comprova a regular condição das terras, a promotora rebateu com a afirmação de que Maria das Graças não era quilombola, “porque não se comportava como tal”.




Frente a determinada colocação, Maria das Lurdes explica qual foi a reação do MNU. “Quando o Tribunal estadual nega esta competência, mesmo com o parecer do INCRA reafirmando a identidade Quilombola da mãe, isto nos deixa muito receosos”.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, quando uma criança quilombola sai da guarda dos pais, ela deve ficar com outra família que pertença à mesma comunidade, para que mantenha os seus costumes. A promotoria alega que nenhuma família na Toca Santa Cruz tem condições de ficar com as crianças e que os habitantes da cidade têm medo dos quilombolas.
A coordenadora do MNU afirma que a comunidade sofre de uma exclusão total do governo no que fiz respeito às políticas públicas e crítica a postura do judiciário de deslegitimar a possibilidade das famílias quilombolas cuidarem das crianças. “Vivem numa relação de trabalho escravo. As mulheres trabalham como diaristas por R$ 50,00, os homens trabalham 14h ou 12h por salários sempre abaixo do mínimo. Para o Ministério Público a única possibilidade de vida digna para as filhas de Maria das Graças era serem adotadas  pelas famílias brancas. Pelo prefeito e uma vereadora. Os únicos foram  consultados. Dizem no processo que o pai não foi consultado porque é alcoólatra. No entanto não existe nenhum laudo que ateste o alcoolismo do pai”.
A defesa nega também a incapacidade da mãe de cuidar das suas filhas. Elas estavam matriculadas em uma creche e no ensino básico, onde tinham bom desempenho escolar, segundo a professora. Elas também frequentavam aulas de balé, compareciam ao posto de saúde com regularidade e estão com as vacinas em dia. No abrigo, a frequência escolar das jovens é menor do que antes, quando estavam sob os cuidados da mãe.
Para fundamentar a sua ação, o Ministério Público promoveu laudos de médicos psiquiatras e de assistentes sociais para tentar comprovar a incapacidade da mãe de manter a guarda das crianças. O MNU afirma que, de acordo com funcionários da Prefeitura, foi pedido a um médico da rede um laudo pronto que atestasse a não possibilidade de Maria das Graças cuidar das suas filhas.
Comunidade está envolvida com o caso
Sem o convite para os advogados de defesa da mãe, um médico psiquiatra do município de Tubarão-SC, atestou que a Maria das Graças tinha retardo mental leve e déficit intelectual leve e por isso não poderia gerir a família. A equipe de advogados encaminhou a avaliação para um especialista do INSS, que classificou a mãe com apenas déficit intelectual leve. Maria das Graças é analfabeta. Maria das Lurdes pensa que “esta afirmação esta diretamente relacionada ao racismo, pois julgam deficiência mental o fato de ela ser  analfabeta. Em todo processo o racismo está presente quando acusam e culpam Maria das Graças pela ausência e abandono do poder publico na comunidade trazendo consequências  de geração em geração”.
Os demais estudos sociais produzidos responsabilizaram o poder público. O primeiro apontou que seria dever do Estado amparar a família. A segunda observação indica que erraram na análise e que à Maria das Graças não foi dada a possibilidade de defesa.
Em 2014, dois policiais foram à casa de Maria das Graças para levar as crianças. Os policiais armados alegaram à mãe que levariam as duas filhas ao médico. A mentira foi contada para que não houvesse resistência. Desde então, as jovens encontram dificuldades para ter contato com os pais ou qualquer membro da comunidade.

O processo agora está em fase de recurso e a juíza tem até o dia 19 de setembro para definir o futuro da família. A advogada Dr. Patrícia Soares Martins de Oliveira e a secretaria geral da Comissão da Igualdade Racial da OAB entraram com recurso para a anulação da medida judicial. Entre as inúmeras alegações, destaque para a ausência de antropólogo no caso, ausência de intimação para a realização das perícias psiquiatras, transferência de menores para local e família não pertencentes à mesma comunidade, além da negativa da existência da Toca Santa Cruz e da identidade de Maria das Graças enquanto quilombola.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Na sala de aula te acorrentam com olhares, como na escravidão



Na sala de aula te acorrentam com olhares, como na escravidão

Publicado há 2 semanas - em 17 de março de 2016 » Atualizado às 12:01 
Categoria » Educação




Fico me perguntando, quando um professor fala sobre escravidão, ou cita algo sobre um acontecimento ou movimento que envolve negros, seu olhar pousa sem pausa no aluno negro, ou a sala te olha descaradamente, esperando que você levante o punho para o alto. Ou que comece uma discussão, corrigindo o que o professor diz. Mas, não! Simplesmente, só quero ouvir, sobre a matéria e não precisar me distrair, com olhares que se fixam em mim. E, ficar oprimida por que, parece que estão falando dos meus parentes. Talvez, ancestrais. Desde o ensino fundamental, sofri com tudo isso, o assunto sempre era escravidão, e nunca sobre como Martin Luther King Jr. foi importante, nem como Dandara foi uma mulher forte, Mandiba? Somente escravidão.

por Taynara Ferreira via Guest Post para o Portal Geledés

Em algumas vezes, fingia me ocupar com algo para que a professora não ficasse constrangida, por não conseguir parar de olhar, para mim. Colocar o fone, para não ouvir piadinhas sobre “Estão falando de negros, ouve.”, “Olha, 
alguém da sua família no livro de história.”. Na escola, somente escravidão. Se eu, quisesse saber sobre cultura negra, teria que me deslocar por conta própria. Foi bom, descobrir sozinha mas, quando um professor te apresenta a cultura, filmes, músicas é como se você descobrisse, que não é só você que se questiona, o porquê de algumas coisas, serem como são. Sinceramente, já estava  cansada de ver tantos filmes de gente branca, sobre senadores e presidentes brancos, que meus professores brancos recomendavam.
Mil vezes, quis perguntar sobre o assunto, mas a sala toda reagiria como um tiro. Não estou sendo dramática, somente no ensino médio que pude ter um pouco mais de segurança. Desde o ensino fundamental estava pronta para ouvir sobre personalidades negras, sobre tudo o que envolvia, quem não estava pronto, eram meus professores e colegas de sala, e claro o planejamento de aula que nunca tinha, esse tipo de conteúdo. Falem de Hitler, que foi super importante. Mas, deixem Malcolm X fora disso. Durante o terceiro ano, minha professora de inglês, estava lendo no livro sobre Mandela, foi a primeira vez que um professor, não pesou o olhar em cima de mim, e me ameaçou com o seu próprio medo de dizer algo errado, por estar falando sobre alguém importante e negro. Respondi a pergunta, para ela. Logo depois, sabe o que eu fiz? Agradeci, a ela por não me acorrentar com o olhar. Não se pode criar negros, inseguros e alienados, que só manifestam seu interesse por sua cultura quando as brancas, usarem turbante e tranças, porque está na moda.


Origem deste artigo.: http://www.geledes.org.br/tag/crimes-da-escravidao/

terça-feira, 9 de junho de 2015

Parada do Orgulho Gay, O que diria JESUS sobre tudo isso?









Acordei com o Facebook em chamas por conta da Parada Gay e da transexual crucificada como Jesus. Fui lendo ponto a ponto cada opinião a respeito e a diversidade da minha TL é meu maior tesouro nessa guerra da comunicação.
Vi gente postando imagens do jogador de Futebol Neymar, também crucificado na capa da Revista Placar. Me lembrei de uma capa de uma Revista de música onde meu parceiro e amigo Gabriel O Pensador também estava sendo crucificado.
A imagem de Jesus determina muitas funções na vida das pessoas. Fé, dor, transcendência, iluminação, revolta, transgressão.
Jesus foi um revolucionário. Um homem que pregava o AMOR e foi crucificado por conta de suas ideias subversivas. HOMENS escreveram um livro, o chamaram de sagrado e fundaram uma religião, que depois por razões políticas e econômicas se partiu em vertentes que atuam até hoje ajudando muitas pessoas e confundindo muitas outras.
Conversando com uma amiga evangélica, que se converteu e atualmente é uma ferrenha pregadora, lembrei de que os EVANGÉLICOS não cultuam imagens, que segundo a interpretação deles da bíblia, Deus não permite que os homens reverenciem ídolos de barro. Os mais radicais andaram quebrando Santos Católicos por ai - alguém se recorda? Nos templos protestantes - Não existe a imagem de Jesus Crucificado.
A intolerância, o ódio, a facilidade com que toda e qualquer tipo de notícia ou opinião é disseminada nas redes sociais, faz com que os exércitos se municiem para defender seus pontos de vista.
Se o Papa vem com um discurso progressista que vai ganhando a simpatia de quem antes não tinha mais interesse e nem paciência para o Sermão dos Católicos, na contra-mão vem os pastores populares como Feliciano e Malafaia descarregando suas metralhadoras de Raiva e desamor contra os homossexuais.
Me parece lamentável que em 2015 ainda estejamos discutindo o AMOR de uma maneira tão VIOLENTA. 

Se os religiosos cuidassem apenas de sues seguidores e deixassem a sociedade LIVRE de suas verdades absolutas para que cada qual pudesse seguir o que lhe fosse conveniente e sincero, metade dessas confusões seriam evitadas.
Se uma parte de mim acha que é preciso respeitar a crença, os símbolos sagrados daqueles que encontram nas religiões o caminho, a outra parte diz que os religiosos também precisam PARAR de cagar regras num país LAICO e deixar de se meter na vida, na família e na forma como as pessoas se amam.
Em suma, o que diria JESUS sobre tudo isso?
Será que ele ficaria ofendido com a sua imagem sendo usada por um transexual crucificado - assim como ele e milhares de outros foram mortos JUSTAMENTE PELA INTOLERÂNCIA da época?
A imagem é forte!
Tão forte quanto as milhares de imagens de Gays que são espancados, mortos, desfigurados e perseguidos diariamente por suas orientações sexuais. 

Tão forte quanto o ódio que está sendo cultivado nesse momento de TREVAS que estamos vivendo.
Concluo que diante dos fatos, Jesus Cristo se sentiria mais ofendido em ver pessoas usando o nome dele para pregar ódio e perseguição, do que pelo fato de alguém estar usando a imagem de sua crucificação que foi causada justamente pela intolerância, para mostrar que estamos chegando a níveis perigosos de falta de amor.
Feliciano não pode cobrar NADA EM RELAÇÃO A IMAGENS pois isso não representa suas crenças.
Mas compreendo o choque dos cristãos tradicionais com a foto, assim como entendo o objetivo de quem se propôs a fazer tal chamado.
A verdade é que tem mais gente interessada em colocar lenha na fogueira do que entender que não resolveremos NADA enquanto não formos capazes de respeitarmos os espaços de cada um.

 Fala se tanto em respeito…
Mas é artigo em falta no mercado de modo geral, principalmente por parte de quem tem como ícone um homem que pregou o AMOR acima de tudo e ai a resposta vem pesada



Tico santa Cruz
Sobre o autor:  (Músico, compositor, escritor, Ativista e criador da banda Detonautas Roque Clube.

"Fernando Leonardo Originalidade faz de você sua marca registrada. Não posso negar que você é o ser humano que mais admiro nos dias atuais, pois você realmente transmite um pensamento totalmente diferente do comum. É isso que faz de você um grande homem. É isso aí Tico Santa Cruz"


sábado, 8 de março de 2014

Arouca e Tinga,vítimas do Racismo -

                                                  


AROUCA, MAIS UMA VÍTIMA DO RACISMO

Nota Oficial do Jogador:

“Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças.

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de 'macaco' que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste.Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar aonde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje - logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul - me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.
O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns.”

_Sei não. Mas penso que no dia em que Arouca inverter esse jogo idiota, Ignorando, acaba a bobagem desses  imbecis. Sabe como? Ele NÃO É MACACO! Então não tem motivo pra se irritar. Não É DELE QUE ESTÃO FALANDO. Ensinei essa técnica de reagir não dando a mínima  para o provocador aos meus filhos, e o resultado foi que os agressores  ficaram no vácuo da própria provocação, desistindo do intento. Que se danem, Não "sou o que dizem", e mostre a que veio jogando melhor ainda!

Não tem porque nos incomodar em sermos molestados pela nossa etnia por esse tipo de gente, porque nossa etnia lhes causam desconforto tão profundo que os fazem emergir seu lado criança que agride para se sentirem mais poderosos, melhores e maiores que de fato são.(Me lembra as crianças quando despeitados dizem para seu coleguinha _"Sua mãe é ''fêeeiá, a minha é 'boniiitá!', Meu pai é mais forte que o 'sêeeu'!
 _ Devemos aprender a sentir é orgulho disso, e não ficarmos melindrados. Não é na cor  de nossa epiderme que mostramos a que viemos, mas sim pelo nosso caráter, pelas nossas ações, nossa maturidade emocional. 
Se irritar, se melindrar,se sentir ofendido, só faz o agressor achar que acertou na atitude infeliz e imbecil demonstração explícita de racismo, de clara inferioridade moral. Não vamos deixar de sermos quem somos, e nem mai nem menos do que somos. Somos Negros sim, e  com todas as belas nuances que a natureza genealógicas nos presenteou. E somos  como belos! Tanto que a maioria absoluta buscam  desesperadamente torrando ao sol  inclemente, correndo o risco de adquirir câncer de pele, tentar chegar ao mais próximo possível a um dos nossos  tão invejáveis  tons. E nem com caríssimas máquinas 'brozeadoras' conseguem; e  no máximo conseguem  ficar parecendo  é  que caíram numa poça de argila, ou ainda  entrar numa sala cirúrgica, pra colocar enchimentos para conseguirem volumes corpóreos que as mulheres negras já trazem de fábrica e não necessita jamais fazer "riccool". 
                       

                                     O procedimento começa com a aplicação de esfoliantes, para remover as células mortas da pele. Em seguida, uma argila rica em sulfato de magnésio é passada pelo corpo. O corpo fica envolvido     
Porque tanto sofrimento afinal, quando publicamente  nos agridem; nós que nascemos originais, tão perfeitos que causam inveja mortal nestes?  
O mais provável nesses caso, é que esses agressores,  mordem os cotovelos de inveja do sucesso desses belos negros com as mulheres brancas, belíssimas morenas  ou loiras. (Sabe a velha e sábia frase dos antigos: "Quem desdenha quer comprar"?)_ Ou seja: Essas atitudes, expressam seus fracassos com o nipe feminino. E isso fica bem claro nas palavras de Tinga, quando diz: "Que é verbalmente agredido quando sai à rua com sua esposa".
                                               

Tinga, jogador do Cruzeiro que sofreu preconceito, faz sucesso no Baile do Copa                                       


Arouca e a esposa  Lailane