sexta-feira, 19 de junho de 2015

Machismo, lgbtfobia e racismo da ESALQ -O que h

O que está acontecendo com nossos jovens Universitários?
O que podemos esperar deles?
O que receberam de educação em seus lares?


Por  Élice Botelho


Antes de ontem estava no C.V. e alguém, que não me recordo, me chamou pra ver uma coisa em um dos murais. Quando vi, percebi que o nível de machismo, lgbtfobia e racismo da ESALQ não param de piorar.
Há boatos de que esse cartaz foi feito em duas repúblicas masculinas, e que todos os bixos que vão lá pegar ração na hora do almoço/janta escrevem o nome de alguma menina nas colunas. Pensei que a CPI de Violação de Direitos Humanos das Universidades Estaduais Paulistas tivesse alertado as pessoas, mas a prova mostra que na verdade tem gente que ta no caminho oposto. 
O que me chama mais atenção, sem dúvida, é o "teta preta". Sendo mulher e negra fico me perguntando o que tem de errado, a ponto de ser usado como uma "brincadeira" que em tese é para "zoar" algum aspecto negativo de alguém, o fato de se ter a teta preta. Além do próprio termo "teta", como se fosse de algum animal. Sinto em lhes informar, mas mulher negra tem os mamilos/bicos do peito/peitinhos/TETA preta sim. Que diacho de cor teria? Rosa? 
De novo vejo alguma característica da mulher negra sendo utilizado como ofensa, por que o corpo da mulher negra é extremamente objetificado. Porque o bonito continua sendo a pele branca e macia, os mamilos rosados e o cabelo liso. E eu lhes digo que BASTA! 
Basta por que são coisas como essas que fazem muitas mulheres negras terem a auto-estima extremamente baixa, se sentirem solitárias, não serem desejadas e acabarem não se relacionando. Basta por que cotidianamente diversas mulheres negras negam seu próprio corpo por saberem que nunca se enquadrarão nesse padrão europeu. Basta por que cotidianamente milhares de mulheres negras negam sua própria cor e cultura e SOFREM!
Se para as mulheres brancas a padronização da beleza já é triste, para as mulheres negras essa dor vem em dobro com o racismo. 
Além disso, falar que uma menina tem a buceta fedida é misoginia! É repulsa às características femininas, além de também ser extremamente higienista. Buceta tem cheiro, tem gosto, e naturalmente tem pelo. E o mais incrível é que pinto também, e nem por isso há motivo de chacota.
São por coisas assim que milhares de mulheres possuem extrema dificuldade de conseguirem ter prazer sexual, que negam suas características e o seu prazer em prol do prazer masculino, do falocentrismo.
E não dá pra deixar batido o "Sociedade do Anel" (que também possui nome de homens). Obvio que não era de se esperar menos, visto a cultura "agroboy" que tem na ESALQ. Pra ser Agronomia tem que ser Macho, e é Macho com M maiusculo, que é pra deixar bem claro. "Se não pegar ninguém na balada é viado."
Sem dúvida esse tipo de atitude influencia para que a ESALQ seja esse campus extremamente heternormativo, onde as poucas LGBT's que aparecem em sua maioria se escondem por trás dos padrões heterossexuais de comportamento para serem mais aceitas.
Observo a rotina da ESALQ e me pergunto onde moram a maioria das LGBT's existentes aqui, por que dificilmente as vejo nos locais públicos de sociabilização, na recepção dos ingressantes, no C.V. na hora dos intervalos, na maioria das festas, na maioria das repúblicas. As LGBT's da ESALQ ainda ainda se escondem...
Enquanto isso, o que deve ser feito para melhorar a imagem da ESALQ por causa dos vários casos que surgiram durante a CPI é fazer doações para instituição de caridade. 
Em primeiro lugar, para se limpar a imagem da ESALQ é necessário combater as opressões! É necessário haver campanhas institucionais de conscientização sobre esses assuntos. É necessário que as pessoas parem de olhar para seu próprio umbigo e comecem a pensar que muitas coisas que fazemos podem ofender e magoar outras pessoas, e que piada não camufla opressão. Vejam como estão em situação de privilégio e PAREM!
Acima de tudo isso, é necessário haver coletivos auto organizados para pautar coletivamente, e com muito mais força, as reivindicações daqueles que são de fato oprimidos. Somente a luta coletiva muda a vida, e se não for quem realmente sofre determinada opressão reivindicar seus direitos, não serão aqueles que estão em privilégio que o farão, como pode ser bem observado. Somente nos organizando e lutando com muitos outros iguais a nós é que conseguiremos avançar para uma ESALQ, e também uma sociedade, mais igualitária e justa, onde a diversidade seja um ideal e não um defeito.

sábado, 13 de junho de 2015

ENTREVISTA DA DILMA NO PROGRAMA DO JÔ SOARES [COMPLETO] 12/06/2015


O ar désolé de William Waack no Jornal da Globo ao anunciar a próxima atração era uma pista para o que viria a seguir: o apresentador Jô Soares em um encontro para lá de amistoso com a presidente Dilma Rousseff no palácio da Alvorada. E “o gordo” já começou dizendo a que vinha: fazer uma entrevista-desagravo à presidente, que está sendo alvo, disse, de uma campanha “absurda” por parte de gente que não se conforma com o resultado da eleição.
“Eu comecei a ter uma reputação de petista fanático porque saí em sua defesa quando começou aquela onda absurda, louca, de ‘fora Dilma’. A pessoa não acredita muito que na democracia, quando a pessoa é eleita, tem que se respeitar o voto. Saí em sua defesa, não que você precisasse, mas tem certas coisas que me deixam indignado”, comentou Jô. Ou seja, o apresentador global deixou patente que vê as manifestações como choro de perdedor. Uau.
Jornalisticamente, é preciso que se diga, a entrevista não foi lá essas coisas. Uma entrevista rende muito mais quando se faz um bom número de perguntas ao entrevistado (não necessariamente ardilosas), sem deixá-lo falar tanto. Quanto maior a variedade de temas, mais variada, claro, fica a entrevista. Faltaram diversos temas, em minha opinião, principalmente provocações sobre a relação entre Dilma e os detentores do poder no Congresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Jô só tocou no nome delesen passant, e para criticá-losFiquei particularmente desapontada por Dilma não ter aproveitado o apoio explícito do apresentador ao imposto sobre grandes fortunas.
Mas há dois pontos a se levar em consideração: o primeiro é que Jô Soares não é jornalista e sim um entertainer – que tem, atenção, a “permissão” de se posicionar politicamente, ao contrário dos jornalistas, nos meios tradicionais. O segundo é que o objetivo dele com a entrevista não era colocar Dilma na parede, coisa que vimos à exaustão toda vez que ela apareceu diante das câmeras respondendo a jornalistas brasileiros –no Jornal Nacional, então, nem se fala. O objetivo de Jô era mostrar como Dilma pensa e como quer governar o País. E, neste aspecto, é possível dizer que foi a primeira entrevista que a presidente deu desde que se elegeu em 2010 em que pôde fazer isso. Todas as entrevistas de Dilma no Brasil tinham ar de duelo, normalmente concedidas no calor de uma campanha eleitoral.
Jô Soares, ao contrário, levantou a bola para Dilma cortar em praticamente todas as perguntas. À vontade, sem ser interrompida, a presidente, mesmo com a prolixidade habitual, pôde explicar o que tem feito e quais são suas metas para os próximos quatro anos. E, diferentemente da Dilma “marionete” de Lula que pintam, sobressaiu uma governante segura do que tem na cabeça. Para exasperação de seus opositores, Dilma transmitiu uma imagem de mulher extremamente preparada para o cargo. Quer você goste dela ou não, ficou bastante óbvio que ela não está ali por acaso e sabe exatamente o que está fazendo. Se você não concorda com o que ela está fazendo (e aqui incluo a esquerda que votou nela) é outra história, mas que ela tem a coisa clara na cabeça, tem.
A entrevista de Dilma Rousseff ao Jô foi praticamente um anti-panelaço: contra os que quiseram calar a presidente pelo grito, o entrevistador mais famoso do Brasil lhe ofereceu voz.  Elogiou seu gosto pela leitura, mostrou-se admirador de sua passagem pela luta armada durante a ditadura e não disfarçou sua confiança no projeto de governo dela. Jô gosta muito de Dilma, simpatiza com a pessoa dela, isso ficou evidente. O recado foi dado à emissora onde trabalha: “Vocês não gostam dela, mas eu gosto e vão ter que me engolir”. Aos 77 anos de idade e 54 anos de carreira, Jô Soares pode fazer isso. Para culminar, terminou a entrevista com um galanteio hilário à presidente em pleno dia dos namorados, antes de beijar sua mão: “Foi bom para você também?” E foi bem isso mesmo, um “beija-mão”. Jô estava ali para ser um gentleman com Dilma.
Na manhã seguinte à entrevista, as redes sociais estavam ouriçadas. Os“defensores da liberdade de expressão” de costume atacavam Jô Soares sem o menor respeito. “Fim de carreira”, “sem caráter”, “petralha”, “sempre foi fraco”, além dos xingamentos impublicáveis característicos ao grupo. Não poderiam faltar as acusações de que Jô “recebe dinheiro” do PT: a captação pela Lei Rouanet para a montagem da peça Troilo e Cressida, de Shakespeare, foi transformada imediatamente em suborno. Gente capaz de vender sua ideologia por 30 dinheiros acha que todo mundo faz o mesmo.
Pois eu achei uma atitude muito corajosa de Jô Soares de fazer este desagravo a Dilma, ainda mais em plena TV Globo, emissora que integra a oposição midiática ao PT e a seu governo. Jô demonstrou que não está disposto a abrir mão de suas convicções, ainda que isto lhe resulte em linchamento por parte de gente que aprova linchamentos. Coragem é sempre algo admirável em um personagem público.
Origem deste artigo(http://socialistamorena.com.br/)
Assista à íntegra da entrevista 

ENTREVISTA DA DILMA NO PROGRAMA DO JÔ SOARES [COMPLETO] 12/06/2015


O pescador e o Turista - Conto

Muitas vezes trabalhamos tanto, mas tanto, que chegamos a adoecer. A cabeça dói, o corpo reclama, a paciência diminui. Mas já parou para pensar o objetivo de tudo isso? É para ser rico? Ter uma aposentadoria tranquila? Quantas vezes lamentamos “quando eu aposentar, eu faço”.






Esse texto do Conto do Pescador Mexicano fala sobre a importância de pensar o que queremos no nosso futuro. Em muitos casos, nós já podemos ter o que queremos: família unida, amigos reunidos, uma vida tranquila. É um texto para refletir sobre as decisões e a consequência que cada escolha terá na nossa vida.

pescador

O PESCADOR MEXICANO E O TURISTA AMERICANO

Um turista americano estava no píer de uma pequena aldeia na costa mexicana, quando um barquinho, trazendo apenas um pescador, atracou. O humilde homem tirava da embarcação uma grande quantidade de atuns avantajados.

O turista elogiou o pescador pela boa qualidade dos peixes e perguntou a ele quanto tempo demorou para fisgar os exemplares.

O mexicano respondeu timidamente: “Não demorou muito, não.”

O americano, intrigado, perguntou: “Por que você não ficou mais tempo pescando para conseguir mais peixes?”

E o mexicano respondeu: “Essa quantidade é suficiente para eu sustentar a minha família e comprar o que preciso.”

O turista retrucou: “Mas o que você faz com o resto do seu tempo?”

O pescador mexicano disse: “Eu durmo até tarde, pesco um pouco, brinco com minhas crianças, faço a siesta com minha esposa, dou uma volta na aldeia todas as manhãs, onde eu tomo um golinho de vinho e toco violão com meus amigos. Eu tenho uma vida bem cheia e ocupada.”

O turista zombou do pescador e disse: “Eu posso te ajudar. Preste atenção: se gastar mais tempo pescando, você terá lucro e poderá comprar um barco maior. Com os lucros do barco maior você poderá comprar várias embarcações. De repente, você terá uma frota de barcos de pesca. Em vez de vender o que pegou para um comprador intermediário, você venderá diretamente para o consumidor, e poderá até abrir sua fábrica de enlatados. Você poderá controlar o produto, o processamento e a distribuição. Você poderia deixar esta pequena aldeia e se mudar para a Cidade do México, depois para Los Angeles e pode até morar em Nova York, onde dirigiria o seu empreendimento, sempre em expansão.”

O pescador mexicano perguntou: “Mas quanto tempo isso demoraria?”

O turista respondeu: “De 15 a 20 anos.”

“Mas e depois?” – Perguntou o mexicano.

O turista riu e disse entusiasmado: “Essa é a melhor parte. Quando chegar o momento, você pode vender a sua empresa, e ficará muito rico. Você ganhará milhões de dólares.”

Sem entender o entusiasmo do americano, o pescador perguntou: “Milhões? Mas… e depois disso?”

O americano disse: “Depois você se aposenta. Se muda para uma pequena aldeia na costa pesqueira, onde poderá dormir até mais tarde, pescar um pouco, brincar com seus filhos, fazer a siesta com sua esposa, andar pela aldeia todas as manhãs, bebericar um pouco de vinho e tocar violão com seus amigos.”

– autor desconhecido –

~ Guta ~
https://viversempressa.wordpress.com/category/historias-que-inspiram/

terça-feira, 9 de junho de 2015

Parada do Orgulho Gay, O que diria JESUS sobre tudo isso?









Acordei com o Facebook em chamas por conta da Parada Gay e da transexual crucificada como Jesus. Fui lendo ponto a ponto cada opinião a respeito e a diversidade da minha TL é meu maior tesouro nessa guerra da comunicação.
Vi gente postando imagens do jogador de Futebol Neymar, também crucificado na capa da Revista Placar. Me lembrei de uma capa de uma Revista de música onde meu parceiro e amigo Gabriel O Pensador também estava sendo crucificado.
A imagem de Jesus determina muitas funções na vida das pessoas. Fé, dor, transcendência, iluminação, revolta, transgressão.
Jesus foi um revolucionário. Um homem que pregava o AMOR e foi crucificado por conta de suas ideias subversivas. HOMENS escreveram um livro, o chamaram de sagrado e fundaram uma religião, que depois por razões políticas e econômicas se partiu em vertentes que atuam até hoje ajudando muitas pessoas e confundindo muitas outras.
Conversando com uma amiga evangélica, que se converteu e atualmente é uma ferrenha pregadora, lembrei de que os EVANGÉLICOS não cultuam imagens, que segundo a interpretação deles da bíblia, Deus não permite que os homens reverenciem ídolos de barro. Os mais radicais andaram quebrando Santos Católicos por ai - alguém se recorda? Nos templos protestantes - Não existe a imagem de Jesus Crucificado.
A intolerância, o ódio, a facilidade com que toda e qualquer tipo de notícia ou opinião é disseminada nas redes sociais, faz com que os exércitos se municiem para defender seus pontos de vista.
Se o Papa vem com um discurso progressista que vai ganhando a simpatia de quem antes não tinha mais interesse e nem paciência para o Sermão dos Católicos, na contra-mão vem os pastores populares como Feliciano e Malafaia descarregando suas metralhadoras de Raiva e desamor contra os homossexuais.
Me parece lamentável que em 2015 ainda estejamos discutindo o AMOR de uma maneira tão VIOLENTA. 

Se os religiosos cuidassem apenas de sues seguidores e deixassem a sociedade LIVRE de suas verdades absolutas para que cada qual pudesse seguir o que lhe fosse conveniente e sincero, metade dessas confusões seriam evitadas.
Se uma parte de mim acha que é preciso respeitar a crença, os símbolos sagrados daqueles que encontram nas religiões o caminho, a outra parte diz que os religiosos também precisam PARAR de cagar regras num país LAICO e deixar de se meter na vida, na família e na forma como as pessoas se amam.
Em suma, o que diria JESUS sobre tudo isso?
Será que ele ficaria ofendido com a sua imagem sendo usada por um transexual crucificado - assim como ele e milhares de outros foram mortos JUSTAMENTE PELA INTOLERÂNCIA da época?
A imagem é forte!
Tão forte quanto as milhares de imagens de Gays que são espancados, mortos, desfigurados e perseguidos diariamente por suas orientações sexuais. 

Tão forte quanto o ódio que está sendo cultivado nesse momento de TREVAS que estamos vivendo.
Concluo que diante dos fatos, Jesus Cristo se sentiria mais ofendido em ver pessoas usando o nome dele para pregar ódio e perseguição, do que pelo fato de alguém estar usando a imagem de sua crucificação que foi causada justamente pela intolerância, para mostrar que estamos chegando a níveis perigosos de falta de amor.
Feliciano não pode cobrar NADA EM RELAÇÃO A IMAGENS pois isso não representa suas crenças.
Mas compreendo o choque dos cristãos tradicionais com a foto, assim como entendo o objetivo de quem se propôs a fazer tal chamado.
A verdade é que tem mais gente interessada em colocar lenha na fogueira do que entender que não resolveremos NADA enquanto não formos capazes de respeitarmos os espaços de cada um.

 Fala se tanto em respeito…
Mas é artigo em falta no mercado de modo geral, principalmente por parte de quem tem como ícone um homem que pregou o AMOR acima de tudo e ai a resposta vem pesada



Tico santa Cruz
Sobre o autor:  (Músico, compositor, escritor, Ativista e criador da banda Detonautas Roque Clube.

"Fernando Leonardo Originalidade faz de você sua marca registrada. Não posso negar que você é o ser humano que mais admiro nos dias atuais, pois você realmente transmite um pensamento totalmente diferente do comum. É isso que faz de você um grande homem. É isso aí Tico Santa Cruz"


sábado, 6 de junho de 2015

Aventuras de um novo amanhecer!

O dia amanhecia, lá fora o Sol que podia ser visto pelas frestas das telhas. Ella, espreguiçou languidamente , afastou a coberta, estirou as pernas para fora da cama, e já sentada esfregou os olhos. Sentiu o cheiro do café, e ouviu atentamente os sons vindos  da cozinha, onde sua mãe inciava o labor de  mais um dia de rotina.

Então levantou-se de uma vez, tirou a roupa de dormir, e vestiu o calção azul, herdado de algum primo paulistano. Calçou as chinelas havaianas, uma de cada cor, por que era assim que faziam para aproveitar tudo o  que podia; se uma tira arrebentasse, tirava de outra ou mesmo catava alguma que encontrada no lixo. abotoava  a sua base e pronto! Isso era apenas um detalhe. O que  importava na verdade, era ter algo para por os pés, e não pisar da cama direto no chão frio de cimento, porquê isso segunda a mãe era muito perigoso e podia causar uma 'constipação'. Ella, não sabia exatamente o que  significava, mas segundo os mais velhos, podia dar  'entrevaduras', ficar com o pescoço torto, etc. Automaticamente atendia as orientações maternas  de forma religiosa, e sem pestanejar. Pronto! Após conferir dos irmãos quem ainda  estava dormindo,  saiu do quarto que dividia  na época com mais  6 irmãos dos oito, pois o mais novinho, o ''neném da  vez'', sempre dormia no quarto dos pais. 
Na cozinha, verificou que a mãe já botara o mingau de fubá para esfriar nos velhos pratos esmaltados; um para cada um dos filhos. Ah como Ella gostava daquele momento! Sua tática era pegar o prato já meio frio, o suficiente para ter  formado uma película superficial, que ela ia curetando por baixo, e saboreando o mingau  morno e bem temperado que só a mãe sabia fazer com o fubá mimoso; o mais fino e saboroso que havia! 
 Depois do Bença mamãe! e do Deus te abençoe filha!  Ella  então saía pela  porta cozinha, indo lavar a cara lá na lavasca, ou 'batedor', espécie de lavanderia a céu  aberto, próxima a cisterna, composto de um jirau , espécie de mesa, feito de paus rústicos,e batedor,  uma  grande lasca de taboa  inclinada apoiada num tronco  fincado   no chão onde  se batia e ou esfregavam-se as roupas para remover a sujeira. 
Sobre o jirau, sempre ficava um 'bacião' de Folha de Flandre e era sobre este que se lavava a 'cara', com a água retirada do balde apoiado sobre a beirada do poço, com uma caneca feita de uma lata cuja alça fora  colocada  por algum 'folheiro' profissional que transformava latão em utensílios domésticos. 
Ella, soltou o balde para dentro do poço, e controlou o sarilho
                                                    
Manivela, feita de pau em forma de "L", presa sobre duas forquilhas, onde a corda era enrolada

 até ouvir o som do balde tocando a  água lá no fundo. Ouviu e sentiu o momento em que este adernou enchendo-se d'água. Mesmo assim,  Ella conferiu com  suave puxão, para sentir no peso, se estava  mesmo cheio. 

                     
Então, acionou o sariu, girando lentamente seu manete para frente, até vislumbrar o balde , o qual recolheu, pela alça presa  a corda, colocando-o na borda tijolada do poço. Baixou a tampa de madeira, hábito de segurança observado rigorosamente por todos da casa.                          
     
Era comum acidentes com animais ou mesmo pessoas caindo dentro de  cisternas. Ella havia perdido ainda bem  criança, uma  amiga assim, e apesar de saber que fora um suicídio, jamais deixava de  observar a regra vital.

Bom, sigamos enfim: Ella lavou o rosto, escovou os dentes com 'Dentifricio', tomou um copo da água fresca e com sabor inigualável viria a saber  depois com os anos, e foi para seu prato de mingau de fubá mimoso, o melhor fubá tirado do moinho, o mais fino.  Enquanto saboreava, via os irmãos acordando e seguindo a mesma rotina que fizera a pouco,  vindo um a um sentar-se nalgum canto com seu prato de mingau. Lá fora o sol brilhando era um convite urgente para mais um dia de aventura.
Ella, terminou seu desejum, colocou seu prato dentro do tacho sobre a mesinha da cozinha  e ainda sentindo o sabor  do mingau na boca, voou para o quintal, em busca da saída para  o campo. Iria visitar os pontos nos quais estava interessada nos últimos dias; O novo pé de mangava que descobria carregado de frutos   'de vez' (Quase maduros, num ponto específico que Ella podia determinar quantos dias estariam  bons para serem comidos); O tipo de coisa, que só se aprende vivenciando. Ella sabia como ninguém fazer essa  espécie de leitura da natureza. E por isso mesmo, costumava marcar mentalmente os pontos onde haviam frutos de vez e quanto tempo se daria o ponto exato para a coleta, e a brincadeira, era conseguir chegar primeiro, antes que outra pessoa  os colhessem, ou animal ou passarinhos  ou saboreasse. Não havia nenhuma estratégia, mas apenas uma brincadeira, cuja satisfação íntima era todo o prêmio. Nessa manhã de nossa história, Ella iria em busca da sua magabeira recentemente descoberta, detrás de um caramanchão , cujo acesso um tanto difícil protegia seu pequeno tesouro. Lá foi Ella, pela bem conhecida trilha do cruzeiro, caminho quase obrigatório para suas aventuras. Ia sozinha por enquanto, pois sabia que a qualquer momento, ouviria o tropel tão conhecido do amigo Joly, que sentindo a sua ausência, logo descobria sua pista, e saía correndo em seu encalço. Esta era também parte da brincadeira. Ella adorava esses momentos com o velho e bom amigo Joly.  As vezes, talvez por impaciência, ou a  propósito, ele latia ao longe, e  Ella respondia com um comprido assobio. Em breve ouvia o tropel e sabia que deveria sair da frente, porque  descoberta sua localização Joly vinha numa carreira desabalada só parando mais adiante de onde ela estava, e se ficasse no caminho corria o risco de ser atirada ao solo. Tudo fazia parte da brincadeira quase diária; exceção dos dias de provas na escola ou de chuva  torrencial. 
Enquanto caminhava pelo  serrado, Ella ia descobrindo pequenos detalhes pelo terreno; Coisas interessantes para a menina que adorava curtir a natureza a sua volta. Aqui, um vegetal cujo fogo ateado por alguém, apresentava um belíssimo broto no toco do tronco enegrecido pelas chamas devastadora, mas que pelo milagre da vida, ressurgia das cinzas valente como nunca. Ella acompanharia aquela nova etapa de vida. Acolá um casulo, de onde mais alguns dias sairia  mais uma linda borboleta, mais adiante, verificava se a dona aranha, que encontrara preparando nova teia já botara os ovos, que ficaria envoltos num caprichoso novelo no centro de uma teia em forma de mandala, de onde brilhavam gotas de sereno, refletindo as cores do Sol.
                                      

Seu irmão as vezes pegavam-nas, e até as levava para o quintal onde tinham muitas plantas, e ficavam ambos  monitorando o inseto, descobrindo, novas particularidades da espécie. Coisas de  garotos  mateiros!
Descobriam novos ninhos, conferiam quantos filhotes eclodiam dos ovinhos e acompanhavam o crescimento deles, até que voavam fortes e seguros.
Mas nesta manhã, Ella contava apenas com a presença do Jolly, que também fazia lá suas própria excursão, aparecendo todo festivo de vez em quando desaparecendo a seguir atras de alguma pista de teiú,um calango verde ou codorna. Não era um cachorro caçador, mas  gostava de ouriçar as codornas em seus ninhos ao rés do chão.

Calango Verde do Cerrado

Era tão fascinante, estar viva e poder desfrutar de uma manhã  como aquela, em meio ao campo, sentindo  os pés molhados pelas gotículas de sereno deixadas sob as folhas, sentir ao mesmo tempo o calor do sol despontando no horizonte, e o  restinho do frio da noite que acabara de terminar, o cantar dos passarinhos,  ou o trilar de algum grilo dorminhoco, escondido em alguma toca escura, o cheiro de toda essa mistura,da terra, dos frutos maduros, as novas flores desabrochando para  enfeitar um novo dia, e as folhas, nas quais ia tocando  enquanto caminhava, atenta a algo, ou totalmente descuidada, apenas gozando as delícias de um novo dia!
Ella não pensava nas horas, mas  sabia de alguma forma a hora de retornar para casa e cumprir suas tarefas de colaboração com a  rotina da mãe; e esta parecia saber que a filha necessitava desses momentos tão seus! 
De volta para casa, alegre e bem disposta Ella estava pronta para junto com os irmãos fazer tudo  de forma disciplinada dentro daquele lar que a recebera  por filha, com tanto carinho, liberdade com responsabilidade  e amor. 
Ah como Ella era feliz!!!
Como fora bom ser criança!!!
 Como agradecia a Deus por cada dia de vida!!!
 E como Ella sente saudades daqueles dias!!!

Felicidade: tudo depende do ponto de vista





Para provar que para ser feliz, muitas vezes, só é preciso mudar o ponto de vista, publico a história do meu marido:
Meu marido em 2010:
Pesquisador, emprego instável, sem carro, nem carta de motorista e reclamava de tudo: desde notícias da televisão até de pessoas andando na rua. Um ranzinza incorrigível, um ser amargurado que sempre enxergava o copo meio vazio. Seu apelido no trabalho: garoto-enxaqueca. Reclamava que pessoas preguiçosas tinham melhores oportunidades que ele, que ele era merecedor da vaga de um concurso que tinha acabado de ser preenchida por um colega, se sentia inferior por não ter um carro, de não ter um emprego com carteira assinada, blá blá blá.
Estamos em 2015:
Meu marido continua sendo um pesquisador, continua com o seu emprego instável, continua não tendo carro, nem carta de motorista (mas comprou uma bicicleta). Só que ele é bem humorado e otimista. O que mudou de lá pra cá? Ele aprendeu a enxergar o lado bom da vida, a enxergar o copo sempre meio cheio.
Ele percebeu que sendo pesquisador, tinha flexibilidade de horário, que é uma mão na roda principalmente se tivermos filhos. Estou no oitavo mês de gravidez e eu tive o privilégio de ter meu marido me acompanhando em TODOS os meus pré-natais e ultrassons. Não tem carteira assinada, mas também não precisa pagar INSS e assim, ele consegue escolher a melhor aplicação financeira para garantir um retorno financeiro seguro no futuro. Não tem carro, mas quem precisa de um carro quando se mora numa região privilegiada com várias opções de transporte público? Aliás, não ter carro nos faz economizar, nos faz ter possibilidades de fazer boas viagens todos os anos.
Outro dia ele falou: – A minha vida melhorou tanto depois que começamos a ficar juntos.
E eu provoquei: – Mas o que mudou na sua vida? Pois você continua com o mesmo emprego, com os mesmos problemas…
E ele respondeu: – O que mudou, foi a minha maneira de enxergar as coisas. Me tornei uma pessoa mais leve.
E você? De que forma enxerga sua vida? Copo cheio ou copo vazio?

– Guta –


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Lei Áurea, Onde está a Liberdade?

"A integração do negro na sociedade de classes", de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho."de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), A Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888. A data, no entanto, não é comemorada pelo movimento negro''


Mas infelizmente, não temos motivos para comemorar esta data; e sabe porque?
Porque apesar de toda a caminhada até aqui 1888/2014, ainda somos escravos. 


Sim. Somos todos, brancos, pretos, mulatos, indígenas e até mesmo os que pensam ter 'sangue azul',o que é uma grande piada, somos  cada dia mais escravos.
Somos escravizados pelos ditames dos marketings. Usamos  expressões estrangeiras para parecermos chics(chiques). Ouvimos músicas estrangeiras, mesmo sem compreender uma palavra sequer, para estarmos na moda.
 ''Os produtos industrializados ocupam uma parcela cada vez maior do mercado de alimentos. Eles são bem práticos, pois já vêm prontos ou semi-prontos. O único trabalho é abrir a embalagem, e mesmo as embalagens estão cada vez mais fáceis de abrir. Além da praticidade, os alimentos industrializados também possuem um prazo de validade bem maior do que os produtos "in natura", tornando fácil o armazenamento. Vieram para ficar e representam uma solução para a vida corrida das grandes cidades.
Acontece, porém, que existe uma regra universal, de conhecimento popular, chamada lei das compensações. De acordo com ela, as coisas boas, na maioria das vezes, não são tão boas quanto parecem, assim como as ruins também não são tão ruins quanto possam parecer à primeira vista. Em tudo há uma parte boa e uma parte ruim. 

Assim, importa analisar os prós e os contras para decidir o que é melhor.
Como não poderia deixar de ser, esta regra se aplica também aos alimentos industrializados. Para conseguir a praticidade e durabilidade dos produtos, os fabricantes se utilizam de milhares de aditivos químicos, que, na grande maioria das vezes, não fazem bem à saúde de quem os consome com freqüência.
O uso desses produtos químicos deve ser discriminado nas embalagens dos alimentos. O nome de muitos desses produtos químicos vêm codificados, talvez para que o consumidor não se assuste ao ler estas informações do rótulo. Portanto, é uma questão de escolher entre o aspecto saudável dos alimentos "in natura", e a praticidade dos alimentos artificiais e/ou industrializados.
Os produtos químicos encontrados com maior freqüência nos alimentos industrializados são:

Trabalho escravo que veste a moda

  •    

  •                                    E mergulhamos  cada vez mais na influencia estrangeira de  Animais de Estimação · Artes e Humanidades · Beleza e Estilo · Carros e ... Negócios e Finanças · a Notícias e Eventos ;Escolhas profissionais, religiões, estilos de casamentos, etc.;e quem não entra na onda está é visto com estranheza, como um bicho esquisito. 
  • Aquele ou aquela que resites é considerado como ridículo ou ridícula.  
  •                                                         ·

  • Com tudo isso , deparamos com pessoas que desprezam seu próprio país, seu próprio bairro, seu próprio povo. Seu próprio corpo, sua cor, seu cabelo.
    Onde está a liberdade?



quarta-feira, 22 de abril de 2015

Maior idade penal. A vitima vira verdugo. Certo ou errado?

                                       




A cada novo crime hediondo, as redes sociais lotam de scraps como acima, conclamando a sociedade para uma reação, visando a diminuição da maioridade penal, para que assim se possa punir legitimamente seus autores.
Clamam até pela pena de morte, e convidam os usuários a compartilhar suas ideias encharcadas de ódio.,, revolta, incoformação e medo.
Qualquer pessoa de Bem e menos atenta, compartilha sem refleção mais cuidadosa, pois seu lado bom, não lhe permite compactuar com o contrário. 

Então sem titubear compartilham.
Porém, há que se parar e refletir profundamente sobre o que está acontecendo a nossa volta.

Com os nossos jovens, com nossas crianças, e com os nossos adolescente.
Ao mesmo tempo, existe um clamor público suplicando a melhoria da educação, e a valorização dos professores.
Isso me leva a recordar uma reportagem da CBN, com o escritor e educador (  Arnaldo Jabor   ), onde ele comenta que as nossas escolas hoje formam bandidos mirins, e brinca com a expressão    
'Grade Escolar', fazendo uma analogia com o significado da palavra grade, e a falta de liberdade existente no mundo educuacional quanto a questçao da liberdade para o aprendisado nas escolas.
"Quando se coloca um projeto educativo numa grade, está-se segundo ele, limitanto a capacidade de pensar e desenvolver a inteligencia do educando. Já que educação é infinita, há que se abrir horizontes para tal, e não limitá-los numa grade.
Ao se formar um indivíduo, visando a formação de um cidadão, necessário se faz pensar com maior amplitude, porque, o que vemos hoje, são crianças e jovens desmotivados, com os programas educacionais, que não os envolvem, de tão desinteressantes que são. O mundo inteiro mudou; nossas crianças hoje, já nascem requisitando mudanças. Porém o que recebem são programas ultrapassados, fornecidos por educadores deseducados, despreparados, desmotivados,desencantados, enfermos, sofrendo síndromes do pânico, estressados, amedrontados, infelizes.
Como esperar positividades , bons resultados,do trabalho desses coitados?
 Do outro lado dos muros escolares, encontramos os policiais, na mesma situação. Ou seja: Homens e mulheres, que por mais vocação que tenham alimentado suas decisões profissionais, estão em igualdade de condições humanas e psicológicas da dos professores. E o terceiro grupo dessa questão, estão os pais e avós. Famílias, mal estruturadas, mal orientadas, mal capacitadas para orientar seus filhos, e mal assistidas pelos serviços sociais existentes, que também é 'coxo', porque mal formados, mal preparados, mal estruturados, mal assistidos. O idealismo, que entendo, como a veia propulsora dos bons profissionais, foram desmerecidas, e deixadas de lado. de cada trinta alunos formados , um está ali pelo ideal; o restante, por outras opções, que em nada beneficiará o estudante quando formado no cumprimento ético e moral da profissão que escolheu. E se não há amor pelo que se faz, certamente não teremos bons resultados, pois é o amor que mover o homem para os ideais no Bem. E como se isso não bastasse, há as burocracias acéfalas que ditam normas conflitantes, que no final apenas servem para emperrar a máquina e consumir os recursos financeiros destinados à educação, porém sem beneficiar uma só criatura; Isso sem entrar no mérito da corrupção política.

Com tudo isso, fica difícil compartilhar qualquer aclamação pública que evidencie coisas como Pena de Morte, e Maioridade Penal, sem antes propor um pouco mais de reflexão a respeito; mesmo porque, somos todos resposáveis por todos os resultados sociais. Inclusive os crimes.
Condenar a morte, diminuir a idade criminal, é apenas esconder debaixo do tapete, uma série enorme de erros do passado de uma sociedade, que ainda não consegue se enxergar no outro. É tapar os olhos e ignorar, o valor do sulfrágio público (voto), o significado de DEMOCRACIA, e sobretudo, ignorar o valor da voz pública. Se vamos nos levantar, para corrigir, há que se fazer a coisa direito, e não maquiar, a custa de mais sangue, e geralmente do pobre e do negro.
Sangue que manchará nossas próprias mãos, pois que cada um passará a ser o verdugo, o juiz e carrasco que acionará a guilhotina, ceifando vidas a título de justiça. Eu não quero essa justiça!
É um grande engano, achar que acabando com a vida de um criminoso, por pior que seja, estaremos eliminando um problema. Pelo contrário, cada crime cometido por ele, recairá sobre nossos ombros, porque nos tornaremos exatamente iguais a ele, se não piores, visto  termos como 'movel', um falso conceito de justiça. Isso sem falar nas falhas humanas, que pode nos levar a suprimir a vida de inocentes. E quantos, a história não tem registrado?

Somos responsáveis pelos que educamos ou punimos.
Pena de morte nos tornariam idênticos aos réus, nos tornariam verdugos, e carrascos tão hediondos quantos nossas 'vítimas', além de nos tornar criminosos perante a Lei Divina.
PENA DE MORTE NÃO!
Mas que a lei deveria ser revista com muita seriedade não resta dúvida.
Para isso há que rever nossa educação.
Ninguém desconhece a frase : Educa o menino e corrigirá o homem de amanhã.
Esses adolescentes por mais ignorantes que sejam, sabem muito bem a diferença entre o certo e o errado. O bem e o mal. Então cabe as autoridades constituídas tomarem decisões que de fato possam fazer algum sentido. Porque pelos exemplos que estamos vendo até agora. Não temos como alimentar esperança. Vivemos numa democracia manca, onde o Código Civil, caducou, adquiriu Alzaimmer, Escleroses múltiplas, Demência, e agoniza intermitente. Está a décadas na U.T.I., aguardando Eutanásia.
Aí vem o Código dos Direitos da Criança e adolescente, que maroto inverteu os polos da coisa, engana o tempo todo através dos Direitos Humanos, que é parcial e deficientemente aplicado.
 Por tudo isso, não posso compartilhar. Para termos mudanças há que começar pela causa e não pelas consequências. Essa turminha dos horrores que anda vitimizando cidadãos 'inocentes', é o resultado de mais de um séculos de maus senadores, deputados , governos e juizes corruptos e corruptores. Que só chegaram no poder visando bens pessoais e usando a pobresa como matéria que mobiliza votos. E por um fenomeno interessante, eles detestam os pobres.
Pra que nosso país se torne  realmente juridicamente sério , respeitado e respeitoso, há que se aprender que uma lei, é feita para todos indiscriminadamente, ricos e pobres, e maus, letrados ou iletrados, civis e militares, cidadão comum ou políticos, e esses seriam os primeiros a entenderem a isso fazer valer a LEI. Quando chegarmos nesse patamar, tenho a certeza de que o mundo será um lugar bem melhor para se viver e criar filhos.
E apelos como esses não serão necessários mais.

Utopia?
Não.
Esperança e confiança de que o BEM prevalecerá, não importa quanto tempo leve para isso.
O ser Humano desceu à terra para evoluir, e acima dos governos humanos falhos, míopes, e coxos, governa a Divina Lei do Amor Infinito.


Eunice Terra
30-04-1913

terça-feira, 21 de abril de 2015

CARTA ABERTA AO SR. AÉCIO SILVÉRIO NEVES, SENADOR DA REPÚBLICA



CARTA ABERTA AO SR. AÉCIO SILVÉRIO NEVES,
SENADOR DA REPÚBLICA*


Exmo. Sr. Aécio Neves
Hoje comemoramos o Dia da Inconfidência Mineira, por extensão, o dia de Tiradentes e, estendendo mais, o dia da traição, a de Joaquim Silvério dos Reis.
Dia de também lembrarmos do falecimento do seu avô, Dr. Tancredo Neves, completando trinta anos hoje.
Nascido de família rica, latifundiária, bem situada na política brasileira, graças ao seu avô e ao seu próprio pai, o Sr. deveria ter tido a preocupação de se preparar para herdar o patrimônio físico e político da família mas, ao invés, a custa de gorda mesada da família, veio para o Rio de Janeiro, surfar e aprontar arruaças, como os boletins policiais da época atestam, envolvido com drogas, badernas, brigas.
Na capital política e cultural do país, em nenhum momento o seu nome apareceu ligado a qualquer movimento consequente, seja na música, na literatura ou na política, em período de resistência à tirania, onde parcela dos jovens da sua faixa etária resistiram.
Como se vê, a sua juventude foi inútil, a de um inútil, com a trajetória da inutilidade interrompida por uma fatalidade, a morte do seu avô, primeiro degrau do seu oportunismo político.
Seu avô, típico conservador mineiro, tinha um atributo precioso, do qual Vossa Excelência é a negação: era patriota, nacionalista, brasileiro.
Seu avô foi Ministro da Justiça de Getúlio Vargas e com ele construiu a Petrobras, que Vossa Excelência quer destruir. Junto com Getúlio construiu a Companhia Vale do Rio Doce, que o seu partido, com o seu apoio, vendeu a preço vil.
Quando as forças do capital, as mesmas de hoje, conservadoras, internacionalistas, de viés fascista, se levantaram contra o nacionalismo de Getúlio, seu avô foi um dos mais fiéis defensores do velhinho, ao lado dele permanecendo até a morte.
O discurso da direita? Corrupção!
Morto Getúlio, fez-se necessário continuar com o seu legado, não abrindo espaço para a direita, e seu avô foi um dos principais articuladores da candidatura Juscelino Kubitscheck de Oliveira, que se notabilizou por uma política voltada para o país, com a direita tentando golpeá-lo de todas as maneiras, com o seu avô presidindo o Banco do Brasil, viabilizando financiamentos para a construção de Brasília.
O discurso da direita? Corrupção!
Jânio renunciou e a direita não quis dar posse ao seu vice, João Goulart, porque Jango significava o retorno do nacionalismo ao poder, do comprometimento com o país e o seu povo.
Pra limitar os poderes de Jango, a direita propôs o parlamentarismo e a esquerda recusou, quase precipitando o golpe militar, antecipando-o em três anos, e surgiu a figura de seu avô, novamente, convencendo Jango a aceitar, para derrubar depois.
Aprovado o parlamentarismo, apareceu a necessidade de um nome de conciliação, que fosse moderado, conservador, mas identificado com as causas populares, nacionalistas, e acima de tudo fiel a Jango, capaz de lutar para implementar as Reformas de Base, e surgiu o nome do seu avô.
Veio a campanha para acabar com o parlamentarismo e lá estava o seu avô ao lado do melhor para o Brasil, o melhor para o povo brasileiro, combatendo o parlamentarismo, para contrariedade da direita.
E caiu o parlamentarismo e ressurgiu o discurso golpista da direita, com o seu avô rebatendo, resistindo ao golpe, bravamente, até que ele veio.
O discurso da direita, a justificativa? Corrupção!
Foram vinte e um anos de entrega do patrimônio nacional, de torturas, exílios, censuras e mortes, com a oposição do seu avô.
Veio a campanha das Diretas Já e entre os mais inflamados e respeitados oradores, o seu avô, exigindo a devolução do poder ao povo.
A lei das diretas não passou e novamente foi necessário se encontrar um nome confiável, conservador o bastante para acalmar os militares, mas nacionalista o bastante para mudar os rumos da conjuntura, adversa, cruel, desumana, para vencer Paulo Maluf, o corrupto e ditatorial candidato do sistema, dos militares, e novamente o nome do seu avô apareceu.
Foi eleito, para regozijo dos democratas, dos patriotas, dos nacionalistas, mas não foi empossado. A morte, cruel e devastadora, é de direita.
E aí surgiu Vossa Excelência, neto mais velho do ancião moribundo, tornando-se o porta voz da família.
A até então obscura nulidade, à custa do sofrimento de um ídolo nacional, ganhou os refletores da mídia e viu reconhecido o seu sobrenome, trampolins para o início da carreira política pessoal.
Isto, excelência os alicerces da sua carreira política estão assentados sobre um cadáver, o do seu avô, e não mais.
Morto o seu avô, iniciou-se um novo ciclo da direita no poder, que durou dezoito anos, até a eleição de um operário, negação de toda a história nacional, devolvendo o país ao seu rumo de direito, assentado no nacionalismo, no patriotismo, na defesa do povo.
Contrariando o exemplo de família e o determinismo genético, desde o primeiro momento Vossa Excelência se posicionou frontalmente contra esse governo, assumindo exatamente a mesma posição dos adversários do seu avô, dos inimigos do seu avô, dos algozes do seu avô.
Hoje ensaia-se novo golpe da direita, exatamente como o que levou Getúlio ao suicídio, exatamente como o que instituiu o militarismo, os bem sucedidos, exatamente como tentaram com Juscelino e, absurdamente o principal porta voz dos interessados nesse golpe é Vossa Excelência, o mais agressivo.
O seu discurso? Corrupção!
Seu avô teve um inimigo pessoal, agressivo porta voz das forças conservadoras, Carlos Lacerda, eixo do golpismo que se iniciou na era Vargas e culminou no golpe de 64, para morrer com a eleição do seu avô.
Agora ressurgiu, reencarnado no seu partido, uma UDN travestida de PSDB, combatendo tudo o que cheira a nacionalismo, patriotismo, política popular, com Vossa Excelência à frente.
É certo que o senhor espera que eu o compare a Carlos Lacerda, mas não posso fazê-lo porque, mesmo nos adversários e inimigos, o meu intelecto me obriga ao reconhecimento das virtudes.
Falta-lhe, Sr. Aécio Neves, a oratória de Lacerda, a eloquência de Lacerda, a redação perfeita e enxuta de Lacerda, a cultura universal, fruto de muita leitura, de Lacerda, a coerência, ainda que equivocada, de Lacerda, o intelecto de Lacerda.
Carlos Lacerda fez o próprio nome, enquanto o Sr. herdou, vivendo politicamente dele.
Isto, Senador, não fosse o seu sobrenome, do qual vive na sombra, e Aécio não existiria, porque ainda hoje a mesma nulidade intelectual da juventude.
Por isso não o comparo a Lacerda.
Eu poderia compará-lo a Joaquim Silvério dos Reis, o verdadeiro verdugo de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mas também não o faço.
Não faço porque entre Tiradentes e Silvério não havia laços de consanguinidade, exigência de respeito à memória, como há entre Vossa Excelência e o seu avô, Dr. Tancredo Neves, e aqui o sr. se avulta, se agiganta, para ser um traidor maior que Lacerda, muito maior que Joaquim Silvério dos Reis.
Resta-nos o consolo que a história é impiedosa: seu avô veio de baixo e morreu lá em cima, enquanto Vossa Excelência, que começou onde ele terminou, terminará a nulidade que nunca deixou de ser.
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 O texto que eu queria ter escrito! Ufa! Até que em fim alguém o fez! Fantástico! Eu sempre disse que o meu admirável Trancredo Neves se revirava no túmulo com as aprontações políticas do seu neto amado, e que nos envergonha a todos os mineiros!   >EuniceT*