quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O CRIANÇA ESPERANÇA E O MAU CARATISMO DE ALGUNS

O CRIANÇA ESPERANÇA E O MAU CARATISMO DE ALGUNS – Sempre que a Rede Globo faz a campanha do Criança Esperança, todo ano, sempre circulam pela internet mensagens maldosas contra a campanha, falando um monte de bobagens, como a mentira absurda de que a Globo ganha dinheiro com aquilo e até deduz no importo de renda. O pior de tudo é que, mesmo a mensagem não tendo origem, porque nunca aparece quem assina e quem é o seu autor, as pessoas saem retransmitindo, inconseqüentemente, sem perceberem o quanto estão conivindo com uma mensagem tão maldosa.
Toda a receita arrecadada pelo “Criança Esperança” vai direto para a UNESCO, que é uma instituição internacional da maior seriedade. A Globo não ganha um centavo com isto e, pelo contrário, tem uma despesa enorme com a programação, porque, além de pagar o cachê de todos os artistas que participam, também banca toda a produção, que não é barata, e ainda ocupa o seu espaço que poderia ser utilizado para a sua comercialização normal, que lhe proporcionaria faturamento. Por outro lado, os espaços do “Criança Esperança”, em várias partes do Brasil, é uma beleza e seria bom que as pessoas, antes de questionar, procurassem conhecer. Portanto, a campanha contra o Criança Esperança é coisa criada por gente de mau caráter, gente insensível e maldosa, que não tem qualquer compromisso com a honestidade e dignidade.
Eu já tive a curiosidade certa vez de fazer uma pesquisa na vida de pessoas que agem como essas figuras que promovem esses ataques aqui, exatamente iguais. Me deu um trabalho desgraçado, gastei uma grana e passei mais de um ano investigando. A conclusão é a seguinte: Invariavelmente são pessoas que nunca doam nada para obra nenhuma, não tem obra nenhuma, não produzem porra nenhuma, são verdadeiros ZEROS À ESQUERDA, frustradas que, por conta dessas frustrações que batem tanto nas suas mentes, utilizam essas críticas e esses ataques como válvula de escape. É o que fazem. Pode reparar, não são capazes nem conquistar amizades em seus espaços, no Facebook, por exemplo, daí necessitarem invadir os espaços dos outros pra poderem se manifestar, aparecerem de alguma coisa e dizerem que eles existem.
 ...Quando uma pessoa faz isto, o dizer "doe para a APAE" não significa que ela tenha alguma afinidade pela APAE não e muito menos pela disposição de ajudar; a colocação é feita apenas para MASCARAR o seu caráter de espirito ruim, que no fundo ODEIA o que está sendo feito, de certa forma como uma certa inveja: Então o "Doe para APAE" é uma forma de dizer "Olha gente, eu não sou essa praga que você está pensando não, viu? Vejam que eu estou mandando doar para a APAE. Portanto eu também sou caridoso". Esse tipo de doença é estudada pela Psicologia hoje com muita precisão e não se trata de suposição.

 Por: >Alamar Regis Cardoso

UNESCO, INFORME-SE

65 ações da UNESCO em favor de todos os países do mundo (PDF, 4 Mb)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

NÓS TEMOS O RIDÍCULO ORIGINAL

                           

Luma Elora Aislin Aislin


                  
Crônica do dia de ontem....
Mas na verdade acho que tudo começou lá pela segunda-feira,,mas parte da coisa foi no sábado. A situação começa assim, alguns dias lá bem longe, o marido me conta sobre a nova série do natgeo (pode ser?), eis que tem uma nova série: Os Vikings (ahhh que maravilha pensei eu) mas, como de costume veio a segunda-feira à noite e eu esqueci....
Momento dois....sábado fazendo eu os afazeres (fazendo os afazeres é ótimo), e de controle em punho, feito arma poderosa de guerra, procuro algo que me salve, pelo menos os ouvidos, e lá chego no Natgeo, bom...programa vai, programa vem, começa os Vikings, quase mudei de canal, não tinha visto o início me dá aflição não saber o começo e ficar boiando, mas a música era boa, começa a coisa e lá estou eu zoiandu...bem...então, existe um mocinho, que quer navegar a oeste, um chefe mauzinho que fica mordido, que o talzinho fez um barco as escondidas e se manda, o dito bonzinho navega e encontra terra, lá pelas bandas do oeste, então me chega na praia, e ao ver de longe a construção e o tocar de sinos, logo solta o verbo, sem matar ninguém, só que seja necessário....A tal construção um mosteiro... bem dá o obvio, os monges em pânico se trancam e lá estão a rezar, uns já se esconderam, e invasão, e chegam, e com pouca conversa..tchammmm todo mundo morto, e saque, e farra, e gozação com tal deus deles morto na cruz, e no apagar das luzes um monginho novo escondido é descoberto, um quer matar, líder bonzinho diz que não, leva como escravo....cansei da coisa, corria o risco de aumentar meu serviço, não chega minha sujeira, se escorre sangue da TV estou morta duas vezes!

Momento três, segunda-feira meio dia, jornal do almoço, então a Cristina (apresentadora da RBS) chama a repórter de Brasília em visita a Porto Alegre,, então explica ela, sobre a notícia que o projeto sobre as novas regras contra incêndio só não foi votada, como saiu de pauta, quer dizer passada a comoção da tragédia de Santa Maria, tudo volta ao antigamente e está tudo bem.....mas, eis que a moça repórter, foi entrevistar o Deputado fulano de tal ( não, não estou a esconder nomes não....só não gravo os nomes, é assim mesmo...algo como o ator aquele da novela aquela, e as pobres criaturas que adivinhem se puderem....), explicou ele as suas indagações que....o projeto saiu da lista de votação por não ter ficado suas regras do agrado da bancada religiosa da Câmara, ponto um: as novas regras contra incêndios não só abrangem casas noturnas, bem como Igrejas, templos e afins....preceito dos religiosos “ que se danem os fiéis, em caso de incêndio, que morram queimados e vão pro céu???????? É isso?” quer dizer o comércio, que trabalha, dá emprego, paga impostos, que se corrija com novas imposições pró população...as igrejas não? Devo pensar o quê? Deus está a proteger as construções religiosas e seus fiéis, mas os adoradores do demônio que dançam à noite que morram queimados e ardam no fogo do inferno eterno? Um belo pensamento cristão...fiquei emocionada.... Bem...agora analisamos o seguinte: o termo bancada religiosa...que bancada religiosa é essa? quantos católicos tem lá, quantos espíritas, quantos umbandistas, quantos budistas, quantos maometanos, quantos hinduístas, quantos wiccas....quantos pais-de-santo e sintam-se citadas aqui todas as religiões...pois por bancada religiosa se entende isso...e não a verdade que é: bancada (religiosa) evangélica...gostaria de saber porque as pessoas se tornam públicas, querem acontecer e na hora de assinar as atitudes soterram nas letras distorcidas as suas verdadeiras identidades...... ( Ò santa hipocrisia nossa de cada dia!!!!!!).
                         

Momento quatro (essa escrevinhação está ficando longa), segunda-feira à noite e lá estou eu nos afazeres, o guri sentado estudando e a TV ligada, com seu ruidinho de fundo...e então, começa o quê? Os Vikings....vá bene...segue o baile, o navegador voltou, o chefe mau toma de seus direito, mas eles tem suas leis é um desafio é lançado, na luta, claro morre o mau, o irmão insufla o povo contra o bom, o irmão do bom vai lá e enfia o machado no peito do irmão mau do chefe mau...agora ex chefe....a esposa chorosa levanta, pega de uma espada, vai lá e envia em um velho, que presumo ser outro irmão ou um tio do chefe morto e conclama o guerreiro bonzinho a novo chefe,, perfeito, muito esperta, eu reconheço a vitória justa...perco o marido mas fico viva...lá lá lá e assim é, o tal é aclamado e os demais lhes juram lealdade, essas coisas todas.....e tudo isso no meio de Odin pra cá, Thor pra lá...muito religiosos eles....os funerais foram dignos do chefe ( a essas alturas melhor dizer do rei da tribo)...lá está ele deitado todo chique no seu barco...e eis que anda o novo rei com o monge trazido como escravo...pra lá e pra cá, quer ele mostrar os costumes e também saber dos costumes dos outros...bem espertinho o rapaz, na verdade ele não trouxe um escravo ele trouxe um professor para facilitar as futuras invasões...agora que ele sabe...tem terra a oeste!
Então, ele leva o monge a uma das casas, lá estão as escravas do rei morto, e uma delas toda feliz é preparada para ser morta para ir com o rei para o Valhala, perfeito, o monge cai duro....
Cena do funeral, monge junto , não quer ver, filho pequeno, mais ou menos 13 anos do novo rei, muito feliz, critica o padre e pergunta o que ele tem contra uma morte honrada, porque eles temem a morte?, já que eles (vikings) não temem, pois vão para junto dos Deuses.....perfeito, cada tempo com sua vida, cada povo com sua cultura....(o que ainda não me cabe é porque tomar terra de outros...mas vá lá, vou ser generosa e entender que a expansão se dá pela sobrevivência do povo.....mais terra pra plantar, mais comida...etc e tal) e lá está a sacerdotisa, imponente, venerada, o monge pergunta, quem é aquela...o menino responde: O anjo da morte....que toma de um punhal, após confirmar se a escrava quer se juntar ao rei, confirmado, espeta o punhal e lá vai ela para o barco nos braços dos guerreiros, muito solenemente.....corre a ex rainha, e pede (com petulância, claro) para acender a fogueira onde estão os mortos, marido e escrava, no que o novo rei sorri e tira a tocha das mãos dela e entrega a um de seus homens e sai ela pisando duro...o sorriso e o gesto dizem, estás vivas porque traístes os teus, muito bem, escolhestes assim, me reconhece, fica viva,, mas quem trai uma vez, trai duas, te recolhe a tua insignificância, ficas vivas, sem regalias....vaza...

Momento cinco (estou ficando cansada da minha tripa de palavras), o novo rei toma dos barcos...e lá se vai conquistar...sei lá....(estou fazendo meus afazeres) mas me parece um rei na Bretanha, rei que já é um cristão e cuja primeira cena que aparece, recebe seu batedor lá e diante das perguntas, sugere opiniões que não são das melhores....segue-se a seguinte cena, manda os guardas pegar o vivente, manda um outro abrir um alçapão, lá embaixo uma pilha de víboras empilhadas, encerradas, e lá joga o sujeito, fecha alçapão, detalhe mui belo, falando em nome de honra, de Deus, e de quebra pós fechamento é feito uma oração, pois que o traidor (matado nas cobras) vai arder no inferno....
Ia encerrar por aqui..mas tem outra cena hilária....o rei no castelo recebe a notícia que seus guardas estão mortos e que seu irmão fora capturado, está nas mãos dos bárbaros pagãos...assim eles são chamados, quando são avistados chegando pelo rio....bárbaros pagãos do norte se aproximam da costa.....
E então, se dá a discussão, o rei pergunta ao Bispo, o Bispo responde...não devemos lutar, devemos nos submeter, pois é a vontade de deus a punição pelos nossos pecados, kkkkkkkk parece que para o bispo a coisa já andava fedendo fazia tempo.....Fala o primeiro ministro...e se for ao contrário, foi o demônio que os mandou para cá,, para nos fazer sofrer, pois somos um povo de Cristo e todo enviado do demônio deve ser combatido e morto...e lá fala um sei lá quem...e se nem deus nem o demônio mandou, eles simplesmente vieram por si, atrás de riqueza, porque não pagamos à eles e deixemos que se vá...kkkkkkkkkkkkkkkk e eu ali varrendo a casa já perto da meia noite, decididamente rindo à solta....sim...não dá para não rir.....não tem como....sabe a quanto tempo de lá para cá.....eu vendo que se chamavam os rotos de rasgados, kkkkkkk ver a violência de um povo, sua luta por poder, ganância sim....mas ainda assim, com certas normas de honra, com tradições, festejadas, respeitadas...os pagãos bárbaros...do outro lado uns que logo antes também eram pagãos...(não gosto do termo pagão, pois na verdade o termo é politeístas), que são então convertidos...alguns poucos até por fé mesmo, a maioria, por ganância e poder, professando uma fé, falando de um ente, de forma totalmente distorcida....invocando coisas de que nem sabem o significado......mas enchendo a boca para dizer aqueles bárbaros,, kkkkkkkkkkkk
E então, em 2013, eu ouço as notícias, observo a humanidade e concluo....tão calma feito água de poço, que não mudou nada...nadaaaaaaa, nem diante de inúmeras ferramentas dispostas para o uso, para o entendimento, para o aprimoramento, a humanidade continua a mesma caminhada hipócrita, ignorante, arrogante, estúpida....
E ainda tem as cobras...santa energia divina...dai-me paciência.....os cocadas pretas...ainda vão lá e submetendo a natureza com seus ares de donos de tudo, ainda tiram os pobres seres rastejantes, oprimem as pobres e lhes geram um carma de assassinas!!!!!!!!!!! Não basta os deuses-homens estúpidos matarem com suas mãos ou armas ridículas...eles ainda não satisfeitos, ainda põem a natureza para fazer seus serviços sujos e rezam em cimaaaaaaa

E eu sou a louca??? Kkkkkkkkkkkkk que minha loucura seja perdoada...
Vou terminar com dois momentos Oswaldo Montenegro....porque só assim para não morrem de dor de estômago....
Que minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, a outra metade...também.....

Para quem conseguiu seguir meu atormentado relato e fez a união dos paralelos comportamento humano do passado x comportamento atual eu explico bem explicadinho...melhor...momento Oswaldo dois....temos a noção pela Igreja católica que temos o pecado original mas nós temos maisssssss, NÓS TEMOS O RIDÍCULO ORIGINAL! Deu para entender ou quer que desenhe?


Moral da história: não há jibóia suficiente no mundo (até porque já mataram quase todas) que possa vingar a espécie.....muito menos víbora que com sua mordida (de susto...o bicho ataca por medo), que possa ao menos chegar perto de uma possível vingança a espécie humana, qualquer animal irracional, não alcança os feitos humanos.....ele é insuperável......em sua estupidez.....e sua racionalidade é no mínimo questionável.....se tivermos em mente que ser racional é um virtude.......

Fui

Luma Elora Aislin

sábado, 10 de agosto de 2013

Meu Querido Papai
















Minha memória ainda guarda lembranças tão antigas que são resquícios, de quando eu era apenas uma menininha de tranças, vestido rodado e sapatinhos de fivelas, a boneca de pana pendurada por uma das mãos, a outra segura pela mão carinhosa  de mamãe, e você caminhando ao nosso lado protetor. Em meu pequenino mundo você era o rei e eu a sua princesinha.
Os anos passando, eu crescendo sempre amparada por ti. Sua voz de barítono ainda ecoa em minha memória; sua  rizada apesar de rara, enchia o meu coração de coragem, de leveza. Lembro-me de como procurava sempre ouvir tudo o que tinhas a dizer, e sua palavra era lei. Você era o mensageiro do bem, da verdade, da bonança, da alegria e da paz em nosso lar.
Caminhar ao cair da noite, pelos caminhos de terra batida iluminada pelo luar, que deixava a estradinha branca como a neve, ouvindo os ruídos da noite e sua conversa amena com mamãe. Era definitivamente um mundo de paz. Era o meu mundo de paz, e ele só era possível por causa de você Papai.

E o tempo ia correndo, as mudanças ocorrendo, tudo exatamente como deveria ser; irmãos chegando a cada tempo, e assim o foi até que me dei conta; estava adulta, e você envelhecido, pronto para se aposentar. 
Sempre que lhe via a cabeça embranquecida pelos anos e pelos sofrimentos, um suspiro dorido subia no peito. Era o prelúdio da separação física inevitável.

Eu acostumara a beber suas sábias palavras e a guardá-las como tesouros num cantinho muito especial papai; O cantinho do senhor em meu coração. Você se lembra disso? Eram nossos momentos! Eu não era mais a muito tempo uma criança, mas você  nesses momentos ainda fazia eu me sentir aquela menininha de tranças. Era tão especial! Acho que você sabia disso! Já não trazia nas mãos a boneca de pano, mas agora os livros e cadernos, e ainda contava com a sua sabedoria, para enriquecer minha alma. 
E você conseguiu Papai. Você conseguiu!

Um dia, chegou a hora da separação e você se foi, deixando um vazio tão grande que parecia ter me deixado num deserto. Mas  nós sabíamos que a realidade não era assim tão cruel né Papai?

Você jamais me deixou, por isso, mais uma vez, hoje posso lhe homenagear, desejando-lhe aí onde você vive agora, todo  o meu carinho e gratidão de filha. 
Te amo e te amarei para sempre Papai.
Feliz Dia dos Pais aí no "Céu"!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Verdade de cada Um


Sete sábios, cada um de uma religião, discutiam qual deles conhecia, realmente, a verdade.
Um rei muito sábio que observava a discussão aproximou-se e perguntou:
- O que vocês estão discutindo?
- Estamos tentando descobrir qual de nós é dono da verdade.
Ao escutar isso, o rei, imediatamente, pediu a um de seus servos que levasse sete cegos e um elefante até o seu castelo. Quando os cegos e o elefante chegaram ao palácio, o rei mandou chamar os sete sábios e pediu-lhes que observassem o que aconteceria a seguir.
O sábio rei pediu aos cegos que tocassem o elefante e o descrevessem, um de cada vez.
O primeiro cego tocou a tromba do elefante e disse:
- É comprido, parece uma serpente.
O segundo tocou-o no dente e disse:
- É duro, parece uma pedra.
O terceiro segurou-lhe o rabo e disse:
- É cheio de cordinhas.
O quarto pegou na orelha e disse:
- Parece um couro bem grosso.
E assim, sucessivamente, cada cego descreveu o elefante de acordo com a parte dele que estava tocando.
Quando todos terminaram de descrever o animal, o rei perguntou aos sete sábios:
- Algum desses cegos mentiu?
- Não! - responderam os sábios em coro – Todos falaram a verdade.
Então, o rei perguntou:
- Mas algum deles disse realmente o que é um elefante?
- Não, nenhum cego disse o que é um elefante, mesmo porque cada um tocou apenas uma parte dele - disse um dos sábios.
- Vocês, sábios, que estão discutindo quem é dono da verdade, parecem cegos. Todos estão falando a verdade, mas, como os sete cegos, cada um se refere apenas a uma parte dela – disse o sábio rei, concluindo: - Ninguém é dono da verdade, porque ninguém a detém por inteiro. Somos donos apenas de parte da verdade.

[Do livro: Valores Humanos – a revolução necessária - Izabel Ribeiro]

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Família Falcote

Quando eu era menina, lá nas bandas do Triangulo Mineiro, deparei com a primeira revistinha em quadrinhos, encontrei-a atirada ao lixo, parte rasgada na diagonal uma revistinha do Fantasma. 
Li, reli, sonhei e guardei em meio aos meus 'tesouros', por muito tempo.

 E volta e meia estava eu embevecida não tanto com a história, mas sim, com os traços desenhados.
                                                

 Daí em diante, sempre que pegava um livro ilustrado, lia a história e em seguida, conferia com muito prazer cada desenho. Ainda hoje sou assim, e amo fotografia, gravuras e desenhos. Passo ainda hoje um tempo considerável conferindo os detalhes as curvas os traços. 

Mas não tenho talento para desenhar, gosto mesmo é de curtir a arte dos traços que se unem e dão vida a uma ideia.

No meu tempo de menina, morando no serrado mineiro, longe de tudo, eu jamais tive a oportunidade de conhecer um desenhista, mesmo venerando seu trabalho.
                                                 
 Hoje nossas crianças são sortudas e muitas privilegiadas, por estarem crescendo exatamente no tempo da Família Falcote. Quer saber porque?
Ficou curioso? 
Então lhe convido a conferir e se divertir com essa família pra lá de especial.
                      

                                          
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Milagre do Bolsa Família


                                                  

Entre Maria Louca e Maria Maluquinha tem um Bolsa Família, mas a classe mérdia e os coxinhas jaguaras jamais entenderão isso


Copiei desta louca menina que proclama

Entre Maria Louca e Maria Maluquinha tem um Bolsa Família.
Por: Rita de Cássia de Araújo Almeida
Psicanalista, Trabalhadora de CAPS da Rede de Saúde Mental do SUS

Este texto tem uma personagem: Maria. Maria é um nome fictício, mas tudo mais é real, tão real que muitos leitores vão pensar que é ficção.

No início da nossa história Maria é pobre, muito pobre, na verdade, Maria é miserável. Sem nenhuma renda, ela e sua única filha vivem da caridade e da boa vontade de pessoas e instituições. Maria também tem pouquíssima escolaridade, parece uma personagem tirada daquele programa de humor que é a cara da pobreza da nossa TV. Maria fala “pobrema” (problema), “risistente social” (assistente social), “conselho titular” (conselho tutelar), “presentivo” (preventivo), “elétrico” (eletroencefalograma) dentre outras pérolas. Além de tudo Maria é louca, e ela geralmente, concordava com este rótulo que lhe davam. Com algumas passagens por hospícios da região, confessava: “nunca tive cabeça boa pra trabalhar”.

Mas atualmente, Maria não aceita mais ser chamada de louca, se considera uma “maluquinha”. Mas para fazer a travessia de louca para maluquinha, passaram-se quase 10 anos, e muita coisa aconteceu nesse caminho, incluindo um abençoado Bolsa Família. Eu sempre tive vontade de escrever um texto sobre o Bolsa Família e achei apropriado usar a história de Maria para fazê-lo. 

Em 17 anos de trabalho em serviços de Saúde Mental do SUS (CAPS), lidando diariamente com pessoas, em geral, pobres, muito pobres ou miseráveis, aprendi uma coisa que só a experiência ensina. Existe uma diferença descomunal, abissal, entre ser pobre e ser miserável. Quem não lida cotidianamente com a população mais humilde, talvez conheça os pobres, mas não conhece os miseráveis, já que eles são “invisíveis a olho nu”. E esse seria o mesmo destino de Maria, ser invisível, mas afinal, sua loucura incomodou e obrigou que a enxergássemos. Foi assim que tomamos conhecimento de Maria, a louca, sem pai nem mãe, rejeitada pela família, em sua miséria absoluta, dependendo do que encontrava no lixo, de favores ou da caridade alheia para sobreviver com sua filha.

Quando ouço pessoas que criticam o Bolsa Família ou outro programa de transferência de renda, dizendo que ele acostuma mal as pessoas, estimula a preguiça e desvirtua o caráter, sinto vontade de vomitar. Quem diz isso, definitivamente, não sabe o que é miséria. Quem faz esse tipo de afirmação tosca e preconceituosa, para usar palavras publicáveis, nunca passou pela situação de encontrar em R$ 70,00 algum alento. Com pouquíssima probabilidade de errar, ninguém que está lendo agora este texto sabe, na carne, o real valor de R$ 70,00. Maria sabe. Muitos aqui vão duvidar, mas R$ 70,00 ou R$ 130,00 (média nacional do valor repassado para cada família com o Bolsa Família), é capaz de reduzir o enorme abismo entre a miséria e a pobreza, e com isso, viabilizar um status inicial necessário para acessar qualquer outro tipo possível de justiça social: ser visto. 

E R$ 70,00 fez muita diferença na vida de Maria, não só pelo valor, mas porque em mais de 30 anos de vida, esse foi o primeiro dinheiro que ela conseguiu que não fosse por caridade ou proveniente de algum dos homens com os quais, eventualmente, se aventurava a morar. Isso porque o Bolsa Família não é tratado pelos profissionais, não pelos sérios e éticos, como um mero benefício assistencial ou uma esmola do prefeito ou do governo, mas como um direito. Sendo assim, o cartão do Bolsa Família foi o primeiro direito que Maria conquistou, depois dele, como veremos, muitos outros vieram.

Um segundo direito que Maria teve voz e força para exigir depois do primeiro, foi uma pensão alimentícia para filha. O ex-companheiro de Maria era alcoolista, raramente tinha trabalho fixo, e mesmo quando conseguia algum trabalho, não pagava pensão, regularmente. Mas Maria tinha aprendido a exigir seus direitos, e foi até às últimas conseqüências para conseguir que o pai da menina pagasse a pensão, achou até justo quando ele quase foi preso por não cumprir com a obrigação. Hoje ele paga a pensão de R$ 90,00 assiduamente, e ela assina o recibo na nossa frente (como ficou combinado na justiça), com a postura de quem aprendeu a lutar pelo seu lugar no mundo.

A loucura de Maria, que se instalou desde o nascimento da filha, continuava a lhe imputar uma incapacidade real para o trabalho formal. Sua irritabilidade e instabilidade emocionais faziam de qualquer relação possível com o outro, um inferno. Mesmo dentro do CAPS, eram comuns suas agressões verbais e até físicas a técnicos e outros usuários. 

Maria, eventualmente, se envolvia com homens com os quais imaginava conquistar alguma segurança, mas em geral, eles obedeciam a um mesmo padrão: alcoolistas ou usuários de drogas, também pobres, com ligações familiares empobrecidas e sem trabalho fixo. Com esses homens, Maria vive relações muito conturbadas e violentas. Assim também vinha caminhando a relação com seu atual companheiro, e com o qual Maria teve um filho, hoje com 3 anos. 
                       
Inúmeras vezes tentamos conseguir para Maria o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que assegura um salário mínimo para idosos, ou pessoas com alguma deficiência grave, que não contribuíram com a previdência social, desde que a renda familiar per capta não ultrapasse ¼ (um quarto) do salário mínimo vigente. Mas, apesar de inúmeras tentativas, Maria não passava na perícia médica, não era considerada suficientemente incapaz para fazer juz ao benefício. 
                          
O fato é que, após muita insistência, no final do ano passado, Maria finalmente conseguiu o BPC e assim que teve certeza de que o benefício chegaria, avisou com satisfação, que agora poderia devolver o cartão do Bolsa Família para que ele pudesse ajudar outra pessoa. Era justo que tivesse recebido o benefício por um tempo e agora, com sua nova condição assegurada, era justo que o passasse adiante. Apesar de louca e ignorante, como a maioria a considerava, Maria sabia o exato significado da palavra justiça, mesmo tendo tão pouco acesso a ela. 
                    
Com alguns meses recebendo salário mínimo, além de poder atender suas necessidades básicas e a dos dois filhos, Maria teve melhorias subjetivas ainda mais notórias. A vaidade consigo mesma e com seu pequeno barraco (herança dos pais), que mesmo nos tempos de miséria insistiam em manter nela um pouco de orgulho, hoje se destacam e evidenciam cada vez mais seu estilo. Maria sempre gostou de bijuteria, maquiagem, sapato, bolsa e roupas e, tal como antes, ainda depende de doações para atender a esses seus caprichos. Mas hoje ela parece feliz em apenas poder se aventurar em entrar numa loja e perguntar o preço das coisas. Ontem me abordou dizendo que viu uma calça igual a que eu vestia por R$ 90,00, achou muito cara e, por isso, não comprou. Semana passada Maria compartilhou numa reunião com outros usuários do CAPS, com lágrimas nos olhos, que mês que vem irá realizar o sonho da sua vida: comprar um jogo de panelas na loja. “Meu sonho é comprar um jogo de panelas novo e colocar tudo em cima da mesa”. O projeto seguinte é colocar piso na casa, toda de chão batido.
                         
Também existem os preconceituosos de plantão que vão criticar os que, depois de saírem do abismo da miséria, se rendem ao consumo. Então nós vivemos numa sociedade capitalista e consumista, que propagandeia o tempo todo que podemos alcançar felicidade comprando coisas e acusamos de consumistas os que estão tendo a primeira oportunidade de testar se essa teoria é verdadeira? Ah, tá!
                        
Mas, quem acredita que uma renda mensal mínima tem apenas efeito de consumo, também se engana. Cerca de dois meses depois de Maria ter recebido seu primeiro salário mínimo questionei a ela como estava sua relação com o companheiro, perguntei se ainda se estapeavam. E ela me respondeu: “Não, agora eu não deixo mais ele me bater”. Sendo eu uma psicanalista, poderia ter interpretado a frase dela dizendo: “Mas, então, antes você deixava?” Mas não foi necessário, eu sabia exatamente porque Maria aceitava apanhar. Ao contrário do que muitos podem supor essa Maria, e muitas outras, não apanham por gosto ou costume, tampouco são fãs dos “50 tons”. Nossas Marias aceitam a violência porque acreditam que esse é o preço que têm que pagar para manter em casa seu homem e com ele algum respeito, amor próprio ou possibilidade de sustento para si mesma e para os seus filhos, ainda que esses sejam ganhos totalmente ilusórios. 

Já concluindo, preciso contar o que aconteceu no último mês de maio, por ocasião da festa do nosso CAPS em comemoração ao dia Nacional de Luta Antimanicomial. Durante os eventos, Maria nos surpreendeu ao pegar o microfone e recitar uma longa poesia feita por ela, na qual tecia, com muito humor, sua trajetória de louca à maluquinha. No seu poema, meio cantado meio falado, “louca” tinha a conotação pejorativa que lhe davam no passado e “maluquinha” falava de como ela se via hoje, do seu jeitinho diferente, meio maluquinho sim, mas também capaz de declarar seu amor pela vida e pelas pessoas que ali estavam. Era o outro com o qual ela “nunca se dava” transformando-se, finalmente, em objeto de seu amor. 

Sim, passado o período em que só podia viver no campo da necessidade imediata e urgente de sobreviver junto com seus filhos, Maria alcança o campo da arte. Maria produz cultura. Atualmente está empolgadíssima com a possibilidade de ser atriz em uma peça de teatro produzida pelo CAPS e cuja história poderá ser a sua própria, aquela tecida em seu poema. 

Ainda há quem chame Maria de louca. Para mim, louco é quem critica benefícios sociais e programas de transferência de renda sem saber o que é ser invisível. Muitos dirão que Maria é uma analfabeta ignorante. Para mim, ignorante é quem não consegue olhar em torno, é quem só consegue ver o mundo a partir do próprio umbigo.

Para você que insiste em criticar programas sociais, eu deixo Maria no seu encalço. Mas se sua intenção for apenas criticar, com os amigos ou nas redes sociais, algum tipo de benefício pago com recurso público e que você não recebe, tenho algumas sugestões. Numa pesquisa rápida no Google, descobri alguns auxílios concedidos a ministros, vereadores, deputados, senadores, desembargadores, policiais federais, diplomatas, altas patentes do exército, marinha ou aeronáutica e/ou juízes. São eles: Bolsa Moradia, Bolsa Paletó, Bolsa Passagens Aéreas, Bolsa Combustível, Bolsa Telefone, Bolsa Gabinete, Bolsa Alimentação, Bolsa Despesas, Bolsa Creche, Bolsa Indenizatória, Bolsa Estudo, Bolsa Funeral e Bolsa Assistência Médica. Obviamente, que nem todas as categorias citadas recebem todos esses benefícios, mas cada uma delas recebe pelo menos duas ou três “Bolsas” citadas. E, na verdade, esses benefícios não são chamados de “Bolsa”, fui eu quem, propositalmente, os batizei com esse nome. Mas bem que poderiam chamar, não é? (Eu não pesquisei o valor de tais “Bolsas”, se você quiser fazê-lo fique à vontade. Sugiro apenas que tome um antiácido antes)
                  

Então, alguém aí pra tentar me convencer que o Bolsa Família não é um direito justo?

               


Teoria incompatível com a prática

Governo Alckmin racismo são paulo
Governador Alckmin: Teoria incompatível com a prática
                              
Crianças da rede pública de ensino em São Paulo receberam material de cunho claramente racista

Governo Alckmin racismo são paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o governo estadual a pagar R$ 54 mil em indenização por ato de racismo. De acordo com a ação por danos morais, movida pela advogada Maria da Penha Guimarães, uma unidade de ensino distribuiu material pedagógico com conteúdo discriminatório.

Segundo os autos, a professora, “a pretexto de desenvolver a criatividade de seus alunos da 2ª série do ensino fundamental”, distribuiu o seguinte material (fls 14/17):

“Redação 8
Uma família diferente
A família lá no céu
Era uma vez uma família que existia lá no céu.

O pai era o sol, a mãe era a lua e os filhinhos eram as estrelas. Os avós eram os cometas e o irmão mais velho era o planeta terra.
Um dia apareceu um demônio que era o buraco negro.
O sol e as estrelinhas pegaram o buraco negro e bateram, bateram nele.
O buraco negro foi embora e a família viveu feliz.
“Criação de texto
Assim como André, invente uma família diferente.
Conte:
a) quais são os membros dessa família;
b) onde ela vive;
c) como ela vive.
1. Desenhe a família diferente que você inventou.
2. Escreva um texto dizendo como é a família diferente. Invente um título.” (fl. 17).


“UMA FAMÍLIA COLORIDA
Era uma vez uma família colorida. A mãe era a vermelha, o pai era o azul e os filhinhos eram o rosa.
Havia um homem mau que era o preto.
Um dia, o preto decidiu ir lá na casa colorida.
Quando chegou lá, ele tentou roubar os rosinhas, mas aí apareceu o poderoso azul e chamou a família inteira para ajudar a bater no preto.
O preto disse:
— Não me batam, eu juro que nunca mais vou me atrever a colocar os pés aqui. Eu juro.
E assim o azul soltou o preto e a família viveu feliz para sempre.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/09/justica-condena-governo-do-psdb-pagar-r.html

Esse fato ocorreu em2011

domingo, 21 de julho de 2013

Doutor ou Médico?






Eliane Brum: Ser doutor é mais fácil do que se tornar médico
 Medicos18_Eliana_Brum

Eliane Brum em seu blog

O Programa Mais Médicos, lançado pela presidente Dilma Rousseff, não vai resolver o problema do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas pode, sim, ser parte da solução. Ou alguém realmente acredita que colocar mais médicos nos lugares carentes do Brasil pode fazer mal para a população? Sério que, de boa-fé, alguém acredita nisso? A veemência dos protestos contra o projeto de ampliar o curso de medicina de seis para oito anos e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado para o SUS revela muito. 
                           
Especialmente o quanto é abissal a fratura social no Brasil. E o quanto a parte mais rica é cega para a possibilidade de fazer a sua parte para diminuir uma desigualdade que deveria nos envergonhar todos os dias – e que, no caso da saúde, mata os mais frágeis e os mais pobres.

                        

Para resolver o problema do SUS é preciso assumir, de fato, o compromisso com a saúde pública gratuita e universal. O que significa investir muito mais recursos. Em 2011, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil gastou US$477,00 per capita em saúde. Menos do que vizinhos como Uruguai (US$817,80) e Argentina (US$869,40), por exemplo. E quase seis vezes menos do que o Reino Unido (US$2.747,00), cujo sistema de saúde tem sido apresentado como referência do projeto do governo. Hoje, falta dinheiro e falta gestão eficiente. Sem dinheiro e sem eficiência, duas obviedades, não se constrói um sistema decente. Mas, para investir mais dinheiro no SUS, é preciso tocar também em questões sensíveis, como o financiamento da saúde privada. Falta dinheiro no SUS também – mas não só – porque o Estado tem subsidiado a saúde dos mais ricos via renúncia fiscal.

Um recente estudo do Ipea (leia aqui) mostrou que, em 2011, último ano avaliado, quase R$16 bilhões deixaram de ser arrecadados pelo governo, por dedução no imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas e desoneração fiscal da indústria farmacêutica e de hospitais filantrópicos. O que é, de fato, renúncia fiscal? Um pagamento feito pelo Estado: ele não desembolsa, mas paga, ao deixar de receber. Assim, quase R$16 bilhões, o equivalente a 22,5% do gasto público federal em saúde, deixaram de ser investidos no SUS para serem transferidos para o setor privado, numa espécie de distribuição de renda para o topo da pirâmide. Para ter uma ideia do impacto, é mais do que os R$13 bilhões que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que o governo está investindo em unidades básicas de saúde, pronto-atendimento e hospitais. Não é à toa que, entre 2003 e 2011, o faturamento do mercado dos planos de saúde quase dobrou e o lucro líquido cresceu mais de duas vezes e meia acima da inflação.
                         

O governo tem estimulado a população – e também os empregadores – a investir em saúde privada. Um plano de saúde privado tornou-se uma marca de ascensão social. A “classe C” ou “nova classe média” tem sido vítima de planos de saúde mequetrefes que, na hora de maior necessidade, deixam as pessoas desprotegidas. Como muitos já sentiram na pele, quando a coisa realmente aperta, quando a doença é séria e requer recursos e intervenções de ponta, quem vai resolver não é a rede privada, mas o SUS, porque uma parte significativa dos planos não cobre os exames e tratamentos mais caros.
                       
                                 
mariafro.com
Para que a solução seja estrutural – e não cosmética – é preciso acabar com as distorções e fortalecer o SUS. Sem dinheiro, o SUS vai sendo sucateado e se torna o destino apenas dos mais pobres e com menos instrumentos para reivindicar seus direitos. Assustada com a precarização do SUS, a classe média se sacrifica para pagar um plano privado, que tem sempre muitas letras miúdas. Os trabalhadores organizados incluem saúde privada na pauta sindical, afastando-se da luta do SUS. Quem tem mais poder de pressão para pressionar o Estado por saúde pública de qualidade, portanto, encontra saídas individuais – que muitas vezes vão se mostrar pífias na hora da urgência – ou saídas coletivas, mas para grupos específicos, no caso dos empregados com planos empresariais.

Enquanto sobrar distorções e faltar dinheiro, o SUS não vai melhorar. Não vai mesmo. Neste sentido, tem razão quem afirma que o Programa Mais Médicos é demagogia. Mas apenas em parte.

Acrescentar dois anos ao curso de medicina e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado no SUS, uma das mudanças previstas para iniciar em 2015, pode ser um aprendizado. E rico. Não só da prática médica como da realidade do país e da sua população, o que não pode fazer mal a alguém que pretenda ser um bom médico. Para que isso funcione, tanto como formação quanto como atendimento de qualidade à população, é preciso que exista de fato a supervisão dos professores e das faculdades. E essa é uma boa causa para as entidades corporativas e para as escolas de medicina.



Hoje, um dos problemas do SUS é a fragilidade da atenção básica: o que poderia ser resolvido nos postos de saúde ou pelo médico de família e que consiste em cerca de 90% dos casos acaba indo sobrecarregar os hospitais, que deveriam ser acionados apenas para os casos mais graves. A distorção provoca problemas de atendimento de uma ponta a outra do sistema. Por outro lado, entre os avanços mais significativos do SUS está o Programa Saúde da Família (PSF), um dos principais responsáveis, junto com o Bolsa Família, pela redução da mortalidade infantil no país. Mas faltam médicos para esse programa. A atuação dos estudantes de medicina poderá fazer uma enorme diferença. E isso não é pouco num país em que os filhos dos pobres ainda morrem de diarreia e de doenças já erradicadas nos países desenvolvidos.

A obrigatoriedade de trabalhar dois anos no SUS tem sido considerada por alguns setores, como as entidades corporativas, uma violação dos direitos individuais do estudante de medicina. Será que não poderia ser vista, além de um aprendizado, também como uma contrapartida, especialmente para quem estudou em universidades públicas ou foi beneficiado com bolsas do Prouni? O Estado, o que equivale a dizer toda a população brasileira, incluindo os que hoje não têm acesso à saúde pela precariedade do SUS, financia os estudos desses estudantes. Não seria lógico e mesmo ético que, ao final do curso, os estudantes devolvessem uma mínima parte desse investimento à sociedade? Para os estudantes das escolas privadas, o projeto prevê a liberação do pagamento das mensalidades nestes dois últimos anos. Mas sempre vale a pena lembrar que também há financiamento público das particulares, na forma de uma série de mecanismos, como renúncia fiscal para as filantrópicas e para as que aderiram ao Prouni.

Os estudantes de medicina serão remunerados pelo trabalho e pelo aprendizado. O valor mensal da bolsa ainda não está definido, mas a imprensa divulgou que será algo entre R$3 mil e R$8 mil. Ainda que seja o menor valor, que outra categoria no Brasil pode sonhar em ganhar isso antes mesmo de se formar? E mesmo depois de formado? Por que, então, uma resistência tão grande?

Por causa do abismo. A maioria dos estudantes de medicina vem das classes mais abastadas, como mostrou a Folha de S. Paulo de 13/7: na Unesp (Universidade Estadual Paulista), apenas 2% cursaram colégio público, contra 40% no geral; na USP (Universidade de São Paulo), 20% dos estudantes têm renda familiar superior a R$20 mil, não há negros na turma que ingressou em 2013. Historicamente, a elite brasileira não se vê como parte da construção de um país mais igualitário. Pelos motivos óbvios – e porque está acostumada a receber, não a dar. Assim, ter seus estudos financiados pelo conjunto da população brasileira é interpretado como parte dos seus direitos – não como algo que pressupõe também um dever ou uma contrapartida. Dever e contrapartida, como se sabe, são para os outros.

Não fosse esse olhar sobre si e sobre seu lugar no país, seria plausível que trabalhar os dois últimos anos do curso no SUS pudesse ser uma boa notícia para quem escolheu ser médico. Fosse até desejável. Primeiro, porque está ajudando a levar saúde a uma população que não tem. E, neste sentido, pode fazer a diferença, algumas vezes entre viver e morrer. Segundo, por participar da construção de um país mais justo, o que implica deveres ainda maiores a quem recebeu mais. Receber mais – melhores escolas, melhor saúde, melhores oportunidades – não significa que tenha de continuar recebendo mais, mas que precisa dar mais, já que a responsabilidade com quem recebeu menos se torna ainda maior. Terceiro, porque é inestimável a oportunidade de conhecer as dores, as necessidades e as aspirações das porções mais carentes do Brasil, não só pelo aprendizado médico em si, mas pelo que essa população pode ensinar sobre um outro viver.

Tornar-se médico – e não apenas um técnico em medicina – não passa pela capacidade de escutar o outro como alguém que tem algo a dizer não apenas sobre seus sintomas, mas sobre uma visão de mundo singular e uma interpretação complexa da vida?

Ao ler a maioria das críticas sobre o programa, o que chama a atenção é a impossibilidade de seus autores se verem como parte da construção de um SUS mais forte e eficiente, o que significa ser parte da construção de um Brasil melhor para todos – e não só para uma minoria. No geral, o que se revela nitidamente é um olhar de fora, como se tudo tivesse que estar pronto, em perfeitas condições, para que só então o médico atuasse. Mas é no embate cotidiano, no reconhecimento das carências e na pressão por mudanças que o SUS será fortalecido, como tem mostrado em sua prática uma parcela dos médicos tachada – às vezes pejorativamente – como idealista. Nesse sentido, também os estudantes de medicina e seus professores farão uma enorme diferença ao estar no palco onde esse embate é travado. Ao estar presentes – promovendo saúde, denunciando distorções e pressionando por qualidade – mais do que hoje.

Acredito que a vida da maioria só muda quando os Brasis se aproximam e se misturam. Tenho esperança de que esse programa – se bem executado, o que só pode acontecer com a adesão e o compromisso de todos os envolvidos – possa ser inscrito nesse gesto. O conjunto de medidas do “Mais médicos”, que inclui também a atuação de profissionais estrangeiros em áreas carentes, já promoveu pelo menos um impacto positivo: colocou o SUS no centro da pauta nacional. Seria tão importante que os protagonistas desse debate superassem a polarização inicial entre governo e entidades médicas para fazer uma discussão séria, com a participação da população, que pudesse resultar no acesso real da maioria a um sistema de saúde com qualidade. E seria uma pena que essa oportunidade fosse perdida por interesses imediatos e menos nobres, tanto de um lado quanto de outro.

É grande o debate sobre se faltam profissionais ou se eles estão mal distribuídos. O que me parece é que não faltam doutores no Brasil – o que falta são médicos. São muitos os doutores que ainda nem sequer se formaram, mas já assumiram o título e o encarnam num sentido profundo. O SUS terá mais chance quando existirem menos doutores e mais médicos trilhando o mapa do Brasil.


Fonte:http://novobloglimpinhoecheiroso.wordpress.com/2013/07/17/eliane-brum-ser-doutor-e-mais-facil-do-que-se-tornar-medico/

sábado, 20 de julho de 2013

Você é um Reacionário?

                               laerte reacionário direita conservador
Os 40 mandamentos do reacionário perfeito
Cada um dos tópicos abaixo foi diretamente inspirado nas falas ou nas atitudes de pessoas de carne e osso
Por Gustavo Moreira, em seu Blog
1-Negue sistematicamente a existência de qualquer conflito de classe, gênero, etnia ou origem regional ao seu redor, mesmo que o problema seja evidente até aos olhos do turista mais desatento. Afinal, sempre nos foi ensinado que a sociedade é um todo harmônico.
2-Não sendo possível negar o conflito, pela sua extensão, tente convencer seu interlocutor de que ele é limitado, reduzido a alguns focos ou induzido por estrangeiros perversos, mas que logo tudo voltará à tranquilidade costumeira.
                 
3-Sendo impossível negar que o conflito é vasto e presente em quase toda parte, tome o partido dos mais poderosos. Afinal, eles representam a ordem, que deve ser mantida a qualquer custo.
4- Manifeste sua contrariedade diante de qualquer estatística que aponte para uma tendência de aumento da massa salarial. É inadmissível que os abnegados empreendedores sejam constrangidos a margens de lucro menores.
5-Demonstre contrariedade ainda maior quando notar que filhos de operários, camelôs e empregadas domésticas estão frequentando universidades. Prevalecendo esta aberração, que vai limpar o vaso sanitário para seu filho daqui a vinte anos?
6-Repita mil vezes por dia, para si mesmo e para os outros, que esquerdismo é doença, ainda que faça parte de uma classe média de orçamento curto, mas que, em estranho fenômeno psicológico, se enxerga como parte da melhor aristocracia do planeta.
7-Atribua a culpa pelos altos índices de criminalidade aos migrantes vindos de regiões pobres e imigrantes de países miseráveis. Estas criaturas não conseguem nem reconhecer a generosidade da sociedade que os acolhe.
8-Associe, sempre que possível, o uso de drogas a universitários transgressores e militantes de esquerda, mesmo sabendo que o pó mais puro costuma ser encontrado nas festas da “boa sociedade”. É necessário ampliar ou pelo menos sustentar o nível de reacionarismo da população em geral.
9- Tente revestir seu conservadorismo com uma face humanitária, reivindicando o direito à vida de todos os fetos, ainda que, na prática, vá pagar um aborto caso sua filha fique grávida de um indesejável, e seja favorável ao uso indiscriminado de cassetete e spray de pimenta contra os filhos de indesejáveis já crescidos.
10- Assuma o partido, em qualquer querela, daquele que for mais valorizado socialmente. Não é prudente que os “de baixo” testemunhem quebras de hierarquia, nem nos casos de flagrante injustiça.
11- Tente justificar, em qualquer ocasião, os ataques militares da OTAN contra países da Ásia, África ou da América Latina, mesmo que estes não representem a menor ameaça concreta para os agressores. Pondere que não é fácil carregar o fardo da civilização.
12- Mantenha assinaturas de pelo menos um jornal e uma revista de linha editorial bem reacionária, para usá-las como argumento de autoridade. Quando suas afirmativas forem refutadas, retruque de imediato com a fórmula “eu sei de tudo porque li o …”.
13-Nunca se esqueça: se um político socialista ou comunista cometer crimes comuns, isto é da essência do esquerdismo; se os crimes forem cometidos por um político de direita, ele é apenas um indivíduo safado que não merece mais o seu voto.
14- Vista-se somente com roupas de grifes caríssimas, não importando o quanto vá se endividar. Sobretudo jamais seja visto sem gravata por pessoas das classes C, D e E.
15- Nunca perca a oportunidade de discursar a favor da pena de morte quando o jornal televisivo noticiar o assassinato de um pequeno burguês por assaltante ou traficante de favela; se, ao contrário, surgir a imagem de algum rico que passou de carro a 200 km/h por cima de pobres, mude de canal, procurando um filme de entretenimento.
16- Quando ouvir narrativas sobre ações violentas de neonazistas e outros militantes de extrema-direita, minimize a questão. Afinal, eles podem ser malucos, mas contrabalançam a ação da esquerda.
17- Reserve pelo menos uma hora, durante as festas de aniversário de seus filhos, para aquela roda em que alguns contam piadas sobre padeiros portugueses burros, negros primitivos, judeus e árabes sovinas, gays escrachados e índios canibais. É necessário, para reforçar a coesão da comunidade burguesa “cristã-velha”!
18- Quando forçado a conversar com pobres, tente parecer um grande doutor, empregando seguidamente expressões estrangeiras; se um subalterno for inconveniente ou falar demais, dispare sem hesitar: “Fermez la bouche!” .
19- Seja sócio de um clube tradicional, ainda que falido, e se possível ocupe uma de suas diretorias, mesmo que totalmente irrelevante. Manifeste-se sempre contra a entrada no quadro social de emergentes sem diploma e outros tipos sem classe.
20- Jamais ande de trem ou de ônibus. É a suprema degradação, comparável somente a ser açougueiro na sociedade absolutista.
21- Obrigue todo empregado doméstico que venha a cair sob suas ordens a comprar uniforme e usá-lo diariamente, impecavelmente lavado e passado. Afinal, para que serve o salário mínimo?
22-Jamais escute música baiana de qualquer vertente, samba, forró ou cantores sertanejos. Uma vez flagrado, sua reputação de homem civilizado estaria arruinada.
23-Pareça o mais alinhado possível com o liberalismo do século XXI. Tendo preguiça de se dedicar a textos complexos, leia pelo menos “Não somos racistas”, de Ali Kamel, e o “Manual do perfeito idiota latino-americano”. Passará como intelectual para pelo menos 90% da juventude de direita.
24- Morra virgem, mas nunca apresente como esposa, noiva ou namorada uma mulher que não caiba no estereótipo da burguesa cosmopolita, porém comportada.
25- Faça eco aos discursos dos octogenários conservadores que constantemente repetem a fórmula “no meu tempo não era assim”, mesmo que saiba sobre inúmeras falcatruas e atrocidades “do tempo deles”. Quanto mais perto do Império e da República Velha, mais longe da contaminação esquerdista!






Mais alguns mandamentos do Reacionário Perfeito:

26- Passe sempre adiante, para parentes, amigos e conhecidos, notícias forjadas na Internet, no estilo “Todas as mulheres de uma cidade do Ceará se recusaram a trabalhar numa fábrica de sapatos, porque já recebiam o bolsa-família”. Não importa se é impossível que qualquer pessoa com mais de quatro neurônios ativos acredite que uma cidade inteira tenha recusado um salário de pelo menos seiscentos reais por achar que vive bem com um auxílio de cento e cinquenta.

27- Repasse, igualmente, juízos de valor negativos sobre personalidades de esquerda, na linha “Michael Moore é mentiroso”, “Chico Buarque é um comunista hipócrita que vive no luxo”, “Dilma foi terrorista”, etc. É preciso dar continuidade à teatral associação entre reacionarismo e moralidade.

28-Diante de qualquer texto ou discurso de esquerda, classifique-o imediatamente como doutrinação barata ou lavagem cerebral. Não importando sua eventual ignorância sobre o tema, é preciso fechar todos os espaços à conspiração gramsciana mundial.

29- Sustente a surrada versão de que “apesar dos erros, os milicos salvaram o Brasil do comunismo em 1964”. Desconverse mais uma vez se alguém perguntar como se chegaria ao comunismo através da provável eleição de Juscelino Kubitschek em 1965.






30- Deprecie ao máximo mexicanos, chilenos, peruanos, paraguaios, bolivianos, colombianos e demais hispânicos como caboclos de cultura atrasada. Abra exceção para argentinos ricos filhos de pais europeus, desde que estes se abstenham de chamá-lo de macaquito.

31- Defenda o caráter sagrado da propriedade rural. Quando alguém recordar que as terras registradas nos cartórios do estado do Pará equivalem a quatro Parás, procure ao menos convencê-lo de que é uma situação atípica
estado do Pará equivalem a quatro Parás, procure ao menos convencê-lo de que é uma situação atípica.
32- Afirme com veemência que todo posseiro, índio ou quilombola em busca de regularização de terras é vagabundo, mesmo que seus antepassados estejam documentados no local há duzentos anos. Por outro lado, todo latifundiário rico sempre será um proprietário respeitável, ainda que tenha cercado sua fazenda à bala há menos de vinte.
33- Denuncie nas redes sociais os ambientalistas que tentam embargar a construção de fábricas de artefatos de cimento em bairros superpopulosos e de depósitos de gás ao lado de estádios de futebol. Esses idiotas não sabem que nada é mais importante do que o crescimento do PIB?
34- Rejeite toda queixa que ouvir sobre trabalho escravo. É tirania impedir que alguém trabalhe em troca de água, caldo de feijão, laranja mofada e colchão de jornal, se estiver disposto a isto. Deixem a vida social seguir seu curso espontâneo!
35- Quando alguém protestar contra o assassinato de duzentos gays no ano Y, responda que outras quarenta mil pessoas morreram violentamente naquela temporada. Finja que é limítrofe e não entendeu que a cifra se limita aos gays mortos em decorrência desta condição e não aos que tombaram em latrocínios, brigas entre torcidas e disputas armadas por vagas de garagem.
36- Acuse todo movimento constituído contra determinado tipo de opressão de querer promover a opressão com sinal contrário. As feministas, por exemplo, pretendem castrar os machos e colocar-lhes avental para lavar a louça e cuidar de poodles.
37- Enalteça “esportes e diversões” que favorecem o gosto pelo sangue, como arremesso de anões, rinhas de galo, pegas, caçadas em áreas de preservação ambiental, touradas, farras do boi e congêneres. Como já dizia seu patrono oculto Benito Mussolini, “o espírito fascista é emoção, não intelecto”.
38-Procure enxertar referências bíblicas nas suas falas sobre política. Ao defender um oligarca truculento, arremate a obra dizendo algo como “Cristo também jantou na casa do rico Zaqueu”. Tente dar a impressão de que qualquer um que venha a contestá-lo despreza pessoas religiosas.
39-Apresente a todas as crianças que tiver ao seu alcance, antes dos dez anos, o repertório integral de Sylvester Stallone e similares, nos quais o árabe é sempre terrorista, o vietnamita um comunista fanático que jamais tira a farda e o hispano-americano batedor de carteira ou traficante. Tendo a chance, compre também Zulu, para a garotada aprender desde cedo que africanos são selvagens que correm em torno da fogueira sacudindo lanças de madeira.
40- Não permita que a política externa dos Estados Unidos seja criticada impunemente. Nunca se sabe quando o homem de bem precisará de um poder maior e talvez irresistível para defendê-lo do zé povão.

Fonte>http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/04/conheca-os-40-mandamentos-do-reacionario-perfeito.html

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Coisas muito estranhas acontecendo

                         Comunismo01_Perigocoicoisas

« A explosão do jornalismo, segundo Ignacio RamonetContratada por FHC, Booz Allen já operava como gabinete de espionagem dos EUA »
Mauro Santayana: Punição para os hitlernautas
 Comunismo01_Perigo
Na avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes pedem a volta dos militares ao poder. Foto de Carolina Latini.
Os hitlernautas não devem ser subestimados. É melhor que a sociedade os conheça. A apologia da quebra do estado de direito é crime e deve ser combatida com os rigores da lei. Cabe ao Ministério Público, com a ajuda da Polícia Federal, identificá-los e denunciá-los à Justiça, para que sejam julgados e punidos, em defesa da democracia.

Mauro Santayana, via Carta Maior

Para quem acha que Dani Shwery, Thismir Maia e Carla Dauden são o máximo que a direita “espontânea” conseguiu preparar para mobilizar seus simpatizantes – no contexto do quadro reivindicatório das manifestações de junho – podemos dizer que entre os servidores do Google e da Microsoft e os mouses dos internautas comuns há muito mais coisas que a nossa vã filosofia possa imaginar.

Uma delas, ficou comprovado, é a espionagem norte-americana na rede, denunciada pelo agora foragido Edward Snowden.

O súbito aparecimento do fenômeno dos hitlernautas é outra – e esse é um fato que merece ser analisado. O hitlernauta, não é, na verdade, uma nova espécie no ciberespaço brasileiro. Ele sempre existiu, embora não fosse conhecido por esse nome. A questão é que, antes, os hitlernautas só podiam ser encontrados em seu habitat natural, em reservas quase sempre protegidas e normalmente produzidas e consultadas apenas por eles mesmos.

Encontravam-se, assim, ao abrigo do navegante comum, como nos sites neonazistas, integralistas, da extrema-direita católica, ou que correspondem, no Brasil, a “espelhos” de certas “organizações” fascistas internacionais.

Nesses espaços, eles ficaram, por anos, alimentando suas frustrações, preparando-se para sair à luz do dia tão logo houvesse uma ocasião mais segura para se apresentarem ao mundo. A oportunidade surgiu no âmbito das passeatas de junho. Afinal, nessas manifestações, cada um podia carregar a mensagem que desejasse – desde que não fosse símbolo de partidos políticos.

Os hitlernautas, além de aparentemente apartidários, são, principalmente, antipartidários. Assim, resolveram engrossar, a seu modo, a procissão mesmo sem conseguir indicar, com clareza, rumo ou andor que lhes valesse.

É fácil reconhecer o hitlernauta. Nas ruas, é o “careca”; o de cara coberta por um lenço; pela máscara do movimento anarquista; o que leva coquetel molotov de casa; joga pedra na polícia; agride violentamente o militante do PSDB, do PT ou do PSTU que estiver carregando uma bandeira; quebra prédios públicos; arranca semáforos; saqueia lojas; põe fogo em carros da imprensa ou invade o Itamaraty.

Na internet, o hitlernauta é ainda mais fácil de ser identificado. É aquele sujeito que acredita (piamente?) que estamos vivendo a penúltima etapa da execução de um Golpe Comunista no Brasil. E que o Fórum de São Paulo é uma espécie de conclave secreto, destinado a dominar o mundo via implantação, no continente, de uma União das Repúblicas Socialistas da América do Sul.

O hitlernauta é o “anônimo” que, atuando no Exterior ou em nosso território, nos comentários, na internet, tenta convencer os interlocutores, de que as urnas eletrônicas são manipuladas; de que não existe oposição no Brasil, porque o PSDB é uma linha auxiliar do PT na implantação do stalinismo por aqui; que FHC é fabianista, logo, uma espécie de socialista a serviço da entrega do Brasil aos vermelhos; que a ONU é parte de uma conspiração mundial, e o único jeito de consertar o país é acabar com o voto universal, fechar o Congresso, dissolver os partidos, prender, matar, arrebentar e torturar, no contexto de novo golpe militar, sob orientação norte-americana.

No dia 10 de julho, os hitlernautas saíram às ruas, sozinhos, pela primeira vez. Segundo o portal Terra, fecharam a rua Pamplona, até a esquina com a Consolação, com a Marcha das Famílias contra o Comunismo, convocada nas últimas duas semanas pela internet.

O portal IG calculou, em cerca de 100 pessoas, o grupo que se reuniu no vão do Masp e marchou, com bandeiras, pedindo intervenção militar, até as imediações do Comando Militar do Sudeste.

No Rio, a convocação conseguiu juntar, frente à Candelária, 30 e poucos manifestantes, em cena em que se viam mais bandeiras e cartazes sobre as escadas do que pessoas para empunhá-los. Ao ver a foto da “manifestação”, muita gente os ridicularizou na internet.

Os primeiros desfiles das SA na República de Weimar também não reuniam mais que 30 pessoas, que carregavam as mesmas suásticas hoje tatuadas na pele dos skinheads presentes à Marcha das Famílias contra o Comunismo, em São Paulo, no dia 10. As pessoas normais, ao vê-los desfilando nos parques, com seus ridículos uniformes, acharam, na década de 30, que os nazistas eram um bando de palhaços. Eles eram palhaços, mas palhaços que provocaram a maior carnificina da História. Sob seus olhos frios, seus gritos carregados de ódio, milhões de inocentes foram torturados, levados às câmaras de gás, e incinerados, em Auschwitz, Maidanek, Birkenau, Dachau, Sachsenhausen – e em dezenas de outros campos de extermínio montados por ordem de Hitler.

Os hitlernautas não devem ser subestimados. É melhor que a sociedade os conheça. A apologia da quebra do estado de direito é crime e deve ser combatida com os rigores da lei. Cabe ao Ministério Público, com a ajuda da Polícia Federal, identificá-los e denunciá-los à Justiça, para que sejam julgados e punidos, em defesa da democracia.

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Militares_Intervencao

                       Militares_Intervencao

Protestos em São Paulo: “Perigo comunista” leva famílias às ruas

Em São Paulo, cerca de 50 pessoas defenderam a volta dos militares ao poder: “cansei de esperar, militares já”.

José Antonio Lima, via CartaCapital

O comunismo está chegando e é um perigo para o Brasil. Pelo menos segundo os cerca de 50 manifestantes que ocuparam parte da avenida Paulista, em São Paulo, na noite de quarta-feira 10, para pedir uma intervenção militar capaz de conter o “perigo vermelho”.

Organizada pelo Facebook, a “Marcha da família com Deus, em defesa da vida, da liberdade, da pátria e da democracia, contra o comunismo” buscou inspiração em 1964. Em março daquele ano, uma série de manifestações públicas com o nome Marcha da Família com Deus pela Liberdade ocorreu antes da derrubada do então presidente da República, João Goulart. Diferentemente do que ocorreu há 49 anos, o movimento de quarta-feira não atraiu grandes massas. A histeria, entretanto, era a mesma.

O protesto era puxado por um carro de som adornado com faixas cujo alvo preferencial era o Foro de São Paulo, idealização esquerdista do PT e de Fidel Castro, constituída em 1990 como resposta ao neoliberalismo que grassava na América Latina. Na trilha sonora do protesto, o hino nacional e o hino à bandeira. Do alto do carro, um homem liderava a manifestação em tom indignado.

Ao chegar em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o locutor se exaltou. Lembrou que a Fiesp contribui para financiar campanhas eleitorais e deu seu recado: “Vocês também vão dançar com o comunismo aqui”. Na rua, os manifestantes tentavam acompanhar o tom do líder e gritavam palavras de ordem na tentativa de fazer os colegas aderirem: “Fora Eike Batista”, “Fora Paulo Skaf”.

O coro que ganhou força, entretanto, foi o mote da manifestação, entoado pelas pessoas que seguravam uma grande bandeira do Brasil. “Cansei de esperar, militares já”, gritavam, aplaudidos por um homem no carro de som com o cartaz “socorro Forças Armadas”.

A democracia não parecia ser uma preocupação da manifestação de quarta-feira. Um pequeno grupo foi hostilizado pelo puxador do carro de som ao gritar “de-mo-cra-cia” em resposta à faixa “Fora Dilma! PT nunca mais! Queremos os militares novamente no poder”. Depois, uma manifestante convenceu um colega a não dar entrevista para a reportagem de CartaCapital. “Você sabe muito bem por quê”, disse ao ser questionada.

Outros resolveram falar. Um homem de Brasília, com seus 50 anos, que caminhava atrás de duas garotas e um rapaz com coletes pretos, estampados com caveiras com a inscrição CCC (Comando de Caça aos Comunistas), preferiu não se identificar. “O comunismo é um perigo em qualquer lugar, foi no mundo todo e vai ser aqui também”, disse. “Basta ver o que o governo do Distrito Federal está fazendo com as famílias, está destruindo as famílias, e o primeiro passo do comunismo é destruir a família”. Como assim? “Você põe a criança na creche, a creche educa até os três anos, depois vai para a escola de tempo integral e aí a educação fica por conta do Estado, o Estado não tem que educar ninguém”.

Segundo este entrevistado, o governo federal tem “projetos semelhantes” ao do Distrito Federal, e o golpe militar só deve vir caso a ordem “esteja totalmente corrompida”. “Acho que infelizmente estamos bem perto disso, pois o Congresso já não tem moral, a presidente está negociando com adolescente e perde a discussão”.

No fim da marcha, Lucas de Carvalho, de 33 anos, caminhava calmamente enquanto conversava com outra pessoa. Carvalho é diretor da Frente Integralista Brasileira, movimento fundado no Brasil na década de 1930 por Plínio Salgado, um admirador do líder fascista Benito Mussolini. Apesar dos chamados para os militares voltarem ao poder, Carvalho nega que as pessoas na marcha tivessem essa intenção. “Os militares assegurariam uma transição, como ocorreu agora no Egito”, afirma. “Era isso que deveria ter acontecido em 1964, só que a transição demorou muito tempo”.

Como integralista, diz Carvalho, ele tem “contato com os militares”, e avalia que hoje não há risco de uma intervenção no País. “O Brasil não tem risco de ditadura, o maior risco, e que ainda é muito distante, é de que haja um movimento mais autoritário na linha marxista”, diz. Para Carvalho, o marxismo influencia todos os partidos brasileiros na atualidade e “nem o Democratas é de direita”. “Todos representam um único partido com facções diferentes e por isso a democracia atual é uma falsidade”, diz. “Estamos longe [do golpe comunista], mas há sinais e desconfianças de que seguimos nessa direção e são essas desconfianças que move a gente aqui”.

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FONTE:http://novobloglimpinhoecheiroso.wordpress.com/2013/07/15/mauro-santayana-punicao-para-os-hitlernautas/