domingo, 2 de junho de 2013

Experiências de uma Sinesteta

                                                                                                
  
                                               


_Era ainda muito criança, uns três, quatro anos talvez, quando minha mãe, ganhou de uma querida vizinha,  a senhorita Antônia, uma colcha de retalhos. Foi a primeira colcha de retalhos de minha vida. Uma coisa corriqueira nesta peça artesanal, marcou-me para toda vida. Algumas vezes tentei externar mas nunca o consegui de fato. Porém jamais me esqueci, e hoje, perto de completar 69 anos, consegui dar uma explicação ao fato que narro em seguida. Havia entre os retalhos que compunham a peça, um pequeno pedaço de pano branco bordado. Creio ser feito à mão; tratava-se de um fruto, bem pequeno, talvez do tamanho de uma azeitona, mas não com o seu formato. Poderia ser um abacate, uma pera, até mesmo uma uva, isso não ficou certo para mim, que sempre tentei encontrar esse fruto na natureza, e jamais consegui definir. Talvez  que, quando relacionava o contexto com as sensações despertada, nada casava com nada; mas prometi intimamente que um dia veria, e provaria aquele fruto de um "verde marciano'' ou abacate, cujo sabor  e textura minha boca conhecia; sendo esses algo completamente novos e indescritíveis, cheguei até aqui sem jamais ter resolvida essa equação: Como eu poderia saber o sabor e textura gustativa de algo que eu jamais provara de fato?
Certa vez, acordei no meio da noite, ouvindo uma música desconhecida,mas enquanto ela desenvolvia num crescente suave, visualisava uma pequena árvore que se formava em forma de um pinheiro luminoso, cujas pontas terminavam em pequenos pêndulos prateados , dando imediato inicio ao ramo acima, e que terminava ligeiramente mais curto com relação ao anterior. No final, a última nota piscou no alto da  pequena árvore, a exemplo da estrela no alto da arvore de natal
Já tem uns de anos, quando participava de um grupo de estudos sobre  Educação da Mediunidade com a professora  Leda M. Bighetti, e durante alguns exercícios de meditaçao, relatei o fenomeno que percebia, quando neste estado, na esperança de encontrar pessoas que tivessem a mesma experiencia. Foi inútil e fiquei com cara de caqui apanhado verde. Registrei o momento, e me preservei desde então, não comentando com mais ninguém o que relato aqui: Durante os momentos de profundo silencio, num ambiente coletivo de meditação, qualquer movimento, por menor e maie sutil que fosse, desencadeava em mim, uma correspondência luminosa, por exemplo: Um leve estalido de cadeira, provocado por um movimento da perna de alguém buscando melhor conforto, promovia estrelas  no meu campo visual (estando eu com os olhos fechados num ambiente menunbroso), que me  despertava do estado meditativo. Um movimento mais arrastado, equivalia a  um flex luminoso em forma de risco. Isto é: o tipo de som definia o tipo do formato luminoso.: estalo = estrela, arrasto = um risco, mas complexo= uma explosão de pontos luminosos , mover das patas de um ventilador= ondas circulares, etc.
Na hora de dormir, nos primeiros momentos de sonolência, sempre observo esse fenomeno, onde os ruídos, tanto internos, no ambiente, ou externos na rua, tem uma correspondencia luminosa imediata, com formatos diversos. Parei de me preocupar, e passei a me divertir com eles.
Agora a poucos anos, passei a ter crises que iniciam com uma meia coroa luminosa e pulsante em um dos olhos, passando por mau estar , nublação visual, que só desaparece com repouso, mas termina com uma chata dor de cabeça e enjoos. Meu oftalmologista, disse ser pressão baixa, ao que aceitei, por ter na época hábitos irregulares de disciplina alimentar. Mas, trocando de oftalmo, foi uma menina, quem diagnosticou estar eu sob sintomas de uma enxaqueca. Me explicou todos os sintomas, que casaram  completamente aos meus sitomas, desde a aura luminosas até ao final do processo.
Somente, depois disso tudo, deparei com uma pequena reportagem televisiva a respeito, que me despertou a curiosidade para a pesquisa.
Acabo de descobrir que sou uma sinesteta.



O que é sinestesia?

por Tiago Cordeiro; Lauro Henriques Jr.



É um distúrbio neurológico que faz com que o estímulo de um sentido cause reações em outro, criando uma salada sensorial entre visão, olfato, audição, paladar e tato. Por exemplo, para um sinesteta, o número 5 pode ser sempre verde, a segunda-feira ter gosto adocicado e um solo de guitarra produzir imagens de bolhas fosforescentes! A maioria das pessoas recebe os estímulos externos e os processa em paralelo no cérebro: um objeto visto segue uma rota específica até o córtex visual; os sons fazem seu próprio caminho até chegar ao córtex auditivo; e assim por diante. Porém, no cérebro dos sinestetas, essas trilhas se cruzam, gerando a maior mistureba no processamento da informação (veja ao lado). "Esse é um processo cerebral involuntário", diz a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já foram catalogados 61 tipos de sinestesia, mas as causas ainda são desconhecidas. Sabe-se apenas que a genética tem influência. "A sinestesia é comum em algumas famílias e está relacionada a pelo menos três cromossomos", diz a psicóloga britânica Julia Simner, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Essa confusão entre os sentidos também pode rolar por outros motivos, como nas alucinações pelo uso de drogas. Mas, nesses casos, a mistureba é aleatória, enquanto que, para um sinesteta, um nome roxo sempre será roxo.

Caminhos cruzados
Acompanhe as rotas de entrega de nosso motoboy cabeção e confira como rola a mistureba sensorial no cérebro de um sinesteta

Emoções cheirosas

O cruzamento entre os receptores olfativos do sistema nervoso central e o sistema límbico, que regula as emoções, faz com que, por exemplo, o cheiro de rosas deixe o sinesteta irritado ou vice-versa, que uma pessoa irritada sinta cheiro de rosas

Sabores com temperatura

Não se trata de comida quente ou fria, mas de duas sensações diferentes se misturando no sistema nervoso central. E aí o gosto de vinho pode provocar a mesma sensação de frio que uma ventania, por exemplo

Cheiros barulhentos

Por causa da confusão entre o córtex auditivo e os receptores olfativos, um perfume pode fazer a pessoa literalmente ouvir coisas. Pior ainda no caso dos cheiros ruins: além de ter que aguentar o fedor, a pessoa ouve uma barulheira junto...

Sons coloridos

Em vez de ir direto ao córtex auditivo, os ruídos dão uma passada pelo córtex visual. Resultado: uma nota musical fica parecendo uma bola colorida

Nomes com personalidade

Outro tipo recorrente. A combinação das letras ou dos sons que formam um determinado nome interfere no sistema límbico. A pessoa passa a achar que todo José é confiável, ou que as sextas-feiras são deprimentes

Números e letras com cor

É um dos tipos mais comuns de sinestesia. Rola dentro do córtex visual: no lugar de processar apenas o sinal escrito, com a cor com que ele foi impresso, o cérebro o relaciona com outras cores específicas

Sentidos criativos
Conheça a galeria dos sinestetas mais famosos do mundo

Richard Feynman (1918-1988)

O físico americano, ganhador do Nobel de 1965, dizia ver letras e números coloridos. Enquanto dava aulas, ele via letras xis marrom-escuras flutuando no ar

Wassily Kandinsky (1866-1944)

Tudo indica que o pintor russo misturava quatro sentidos: visão, audição, olfato e tato. Ele chegava até a cantar os tons de cores que pretendia usar na paleta

Eddie van Halen (1955-)

O guitarrista americano, fundador da banda Van Halen, usou o dom de ver notas musicais coloridas para criar a "nota marrom", usada em discos da banda

Vladimir Nabokov (1899-1977)

Quando criança, o autor russo reclamava que as cores de seu alfabeto de madeira estavam erradas. Criou vários personagens sinestetas

2 comentários:

Manu Alexandrino disse...

Bom dia!!! Passando para agradecer o carinho!!!
Lindo dia para ti.
Bjs
Manu

eunice4590@hotmail.com disse...

Boa noite Manu!!!
Grata querida!É sempre um prazer. Tenha uma Excelente semana!
Bjs!
Eunice.