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domingo, 30 de abril de 2017

Padre passou a compreender Bíblia

''Padre passou a compreender Bíblia
Entre os tantos seguidores da doutrina do Ayahuasca no Distrito Federal, há, inclusive, um padre. Antônio Piber conta que chegou até o chá durante uma crise que teve e uma série de questionamentos quanto às palavras que pregava na igreja. 
“Eu compreendi verdades da Bíblia. Compreendi a Virgem Maria. Compreendi o papel dela. Eu compreendi aquilo que o Chico Xavier disse: a hóstia é uma luz que o padre dá, e quem recebe se encaminha para a luz de Deus. E eu celebrava a missa sem ter essa compreensão. É uma experiência difícil de explicar”, lembra o padre. 
Visão do Preto Velho
Em uma das sessões de Ayahuasca, conta Antônio Piber, chegou a ver, inclusive, um Preto Velho. “Eu estava indo ao banheiro e senti que tinha alguém ali e era um trabalho fechado. E essa presença era humana, de verdade. Não era incorporado”, lembra. 
Ele acrescenta que, nesse dia, só havia quatro pessoas no local. “E eu me virei e, então, vi o Preto Velho, o ser de luz. E esse ser de luz se levantou, juntou as mãos e disse: ‘a benção, padre’. E eu concedi a benção. E era um período em que eu estava em crise, repleto de preconceitos. Nesse momento, percebi isso”, salienta o padre Antônio Piber.''

domingo, 23 de abril de 2017

Verdadeira Aula de Teologia



‘’Fora da igreja não há salvação ?
A necessidade da Igreja para a salvação


       Pe. Antônio Piber
                   

     
O tema da necessidade da Igreja para a salvação impõe-se com urgência quando alguns usam o axioma “Extra Ecclesiamnullasalus”(escrevendo errado o latim e atribuindo-o, com equivoco, a Santo Agostinho) numa perspectiva excludente e negativa, o que é surpreendente, pois se compreendermos de fato que “fora da Igreja não há salvação”, cabe a pergunta: onde está a verdadeira Igreja que salvaria?Nos ortodoxos? Nos romanos? Nos Brasileiros? Nos Reformados? Se é um fato, como fica o “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” (Mt 18,20)?
E qual igreja é a tal que fora dela não há salvação? Já que são muitas as denominações (mesmo católicas), cada uma se arvorando a mais “única” e a mais “verdadeira”. Jesus disse que viriam alguns “falsos profetas” que diriam que “o Reino de Deus está aqui, o Reino de Deus está ali”, mas o que não compreendem, não querem perceber, na sua soberba e egoísmo, é que “o Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17,20-25).
Importa perguntar-nos se, de fato, compreendemos Jesus como pleno e suficiente Salvador, ou se continuamos buscando subterfúgios idolátricos para não O aceitarmos de fato? Importa também nos interrogarmos sobre a posição da cristandade em face do mundo que a rodeiae que serviço ela, e nós, como Seus ministros, queremos ou não prestar, se estamos no mundo imitando Jesus “como aquele que serve” (Lc 22,26) ou se queremos nos servir, condenando-nos nós mesmos ao inferno?
Este é um problema teológico que suscita um inquérito histórico positivo. Assim que, ao citarmos “extra Ecclesiamnullasalus”, deveríamos ser levados a interrogar-nos sobre o seu sentido e contexto original, se não correremos o risco de que nos seja imputada a pecha da ignorância, da arrogância e da má vontade e de usarmos um dos Santos Padres, um dos Bispos Mártires da maior grandeza, para apenas tentar justificar nossos preconceitos anti-ecumênicos.
Pois bem, vamos a São Cipriano: esta fórmula surgiu no contexto das perseguições, das provações infligidas pelo Impero Romano aos cristãos e às cristãs, e ela se situa na perspectiva da parusia iminente. O contexto é o conflito entre a igreja do Norte da África e a igreja de Roma a proposito da validade dos Sacramentos administrados por hereges e cismáticos. São Cipriano defende firmemente a não validade destes Batismos e o dos “relapsos” e justifica sua posição, declarando que “fora da Igreja não há salvação”. Logo, como se poderia pôr o problema dum Batismo válido fora da Igreja? Essa atitude rigorista apoia-se, no entanto, a despeito da formula, sobre um elemento positivo: foi em Cristo que Deus deu a salvação ao mundo; Cristo prolongou esta salvação com a fundação da Igreja; a unidade e a comunhão da Igreja reunida em volta do Bispo é o instrumento da salvação, porque a comunidade dos cristãos é precisamente o local onde se comunicam o Pai, o Filho e o Espirito Santo. Fora dessa unidade, também constituída pela fides integra, não há lugar senão para a obra do anti-Cristo, que semeia a desunião, a discórdia, o ódio, a arrogância e o egoísmo, semeando assim a perdição e anunciando a proximidade do fim do mundo.
A reconstituição exata da origem histórica de um adagio patrístico não traz ainda a clareza desejada, se ao mesmo tempo não se alargar o inquéritoà sua base escriturística e a sua proclamação pelo Magistério. Não basta um dos Santos Padres ter falado, para que tal coisa se torne uma verdade de fé. No que diz respeito a Escritura, ela diz claramente da necessidade da fé e do Batismo, mas também da Vontade salvífica de Deus. O próprio São Paulo ensina que, embora a salvação nunca seja proposta independentemente da Igreja, os não batizados podem misteriosamente participar da redenção de Cristo. Além disso, saliento queexiste uma espécie de pertença anônima a Cristo, pois em Mateus 25,34-40 o Juiz diz àqueles que se encontram à Sua direita: “Vinde benditos de meu Pai, e recebei o reino que foi preparado para vós desde a fundação do mundo. Porque eu tive fome e vós me destes de comer”. A reação dos eleitos merece ser sublinhada: “Senhor, quando foi que o vimos com fome?”. Eles não se lembraram de ter encontrado o Cristo. Então o Rei responde: “Àquilo que fizestes aos mais humildes dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. Existe, pois, um encontro não explicito, de Cristo, que se produz no momento do encontro com o próximo”. A favor deste cristianismo “implícito”, citamos também o discurso de São Paulo no Aerópago “Venho vos anunciar aquele a quem honrais, sem o conhecerdes” (At 17,23).
A necessidade da igreja romana para a salvação foi formalmente declarada pelo papa Inocêncio III (cf. Denz. 423), mas alguém, em sadia consciência considera válido ou relevante o que este Papa declarou? Também o concilio do Latrão IV (cf. Dens. 430) e Bonifácio VIII, na bula Unam Sanctam, ondeafirmou que quem não se sujeitasse a ele, não iria para o Céu... O concílio de Florença (Denz 570b) afirma: “Nem os pagãos, nem também os judeus, os heréticos, os cismáticos possuirão a vida eterna”, no entanto, Jesus Cristo afirmou: “Bem aventurado os misericordiosos porque alcançarão misericórdia. Bem aventurado os puros de coração, porque varão a Deus. Bem aventurado os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,7-10). Não é uma questão de opinião, mas sim de opção...
Para São Cipriano, não havia validade dos Sacramentos ministrados pelos que não estavam em comunhão com a Igreja Católica que ele representava e que era, naquele tempo, a do Norte da África; o Bispo de Roma, para ele, era o lado oposto, a não ortodoxia liberal e moderna. Um clérigo de qualquer denominação separada das outras, que publica esta frase, é no mínimo um equivocado..., se aceitarmos (e publicarmos) o axioma de São Cipriano, devemos aceitar (e publicar) que, de fato, os Sacramentos que ministramos são inválidos e ilícitos e que não somos a Igreja, mas sim um arremedo e que, decididamente, não estamos na salvação...
É preciso com urgência que se coloque a lume a doutrina do Evangelho, que os novos tenham humildade para aprender dos mais velhos e que todos estudemos, estudemos a sadia Teologia e, sobretudo, que tenhamos uma radical experiência ecumênica e arregacemos as mangas, colocando os pés no chão na pastoral e na missão, parando de perder tempo com picuinhas na internet... Que façamos sempre de novo, diuturnamente, uma leitura orante da Bíblia, como lectio divina, principalmente dos Escritos Apostólicos. E que no estudo da Teologia, se tome muito a serio a teologia do Batismo como incorporação em Cristo, na Ireja de Cristo, independente do nome que ela assuma.
Ora, todos os batizados em Cristo, ficam incorporados á Igreja de Cristo, independente do nome que ela tenha. Isto alarga a perspectiva da problemática respeitante aos membros da Igreja e á salvação “fora” da Igreja, se não for assim, somos obrigados a reconhecer que as Igrejas não romanas, não são verdadeiramente a Igreja, mas sim, para usar uma expressão do então cardeal Ratzinger: “São apenas comunidades religiosas” (Dominus Iesus, 3).Cito aqui a feliz expressão do papa Pio XI, quando em alocução a 9 de janeiro de 1927, lembrava que “os pedaços arrancados a uma rocha aurífera, contém também ouro” (Osserv. Romano, 10-11, jan. 1927).
Convido a que reconheçamos o agir de Deus nas outras Igrejas e nas outras religiões, e a sabermos que “o Espirito sopra onde quer” (Jo 3,8).
Mas o que a Bíblia diz exatamente sobre os aspectos subjetivos exigidos pela obtenção da salvação? Em primeiro lugar, aquele e aquela que possui o amor e a caridade, possui tudo, conforme Mateus 22, 35-40; Romanos 13,9ss; Mateus 25,31-46, Primeira aos Corintos 13 (sobretudo o versículo 13) e a Primeira Joao 4. A atitude para com o próximo é decisiva para a salvação, este é o maior ensinamento da Parábola do Bom Samaritano (cf .Lc 10,30-37). Mas a Escritura ensina que nenhum homem ou mulher possui realmente esta caridade, por que todos somos prisioneiros de nosso egoísmo. É esta a razão porque todos e todas deveríamos ser condenados (cf. Rm 3,23). Contudo, isto só não acontece devido a superabundância da graça de Cristo, de Seu amor incondicional por nós todos e todas, os pecadores e as pecadoras. A caridade é, pois, determinante, e quem não tiver amor no coração e não tiver uma caridade prática, não se salva, independente de estar nessa ou naquela Igreja, nessa ou naquela religião; mas como ela, a caridade, não é suficiente, devemos crer, devemos ter fé em Jesus e o aceitarmos como Nosso Salvador. Esta fé é o reconhecimento cheio de amor da impotência do homem e da mulher e é, consequentemente, a abertura à ajuda de um Outro. Toda a humanidade vive desse serviço de complementariedade realizado por Jesus Cristo. A vocação da Igreja é também participar nele, servindo. Ela não é um clube de salvação fechado em sim mesmo, mas sim a comunidade daquelese daquelas que são chamados e chamadas a colocar-se ao serviço da multidão. É isto que São Paulo, os Santos Padres, e os Teólogos da Libertação, tão incompreendidos, tentaram nos ensinar... É impossível negar o discurso inaugural do Evangelho na sinagoga de Nazaré: “O Espirito de Deus está sobre mim, para anunciar uma boa nova de libertação aos pobres” (Lc 4,16-30).
“A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai”, afirma o Apóstolo Tiago “é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção do mundo” (Tg 1,27), “porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e seus ouvidos, atentos a seus rogos; mas a força do Senhorestá contra os que fazem o mal” (Tg 3,12). E o que é a salvação? É livrar-se dos pecados? Se é, “a caridade cobre a multidão dos pecados”( Tg 4,8).
A graça proveniente de Deus não atua só ocasionalmente e para uns privilegiados, Deus não têm preferidos, pois “reconhecemos que Deus não faz acepção de pessoas, mas sim que em todas as nações lhe é agradável aquele que pratica a justiça” (At 10,34). Praticar a justiça é o que a Deus lhe agrada? Isto resolve radicalmente a questão da salvação dos e das que estão “fora” da Igreja e daqueles e daquelas que ignoram a mensagem evangélica. Sim, ele ou ela não é desta nação/igreja, mas “pratica a justiça”, pois bem, ele ou ela agrada mais a Deus do que os e as que dizem “Senhor, Senhor”, “pois não é o que diz Senhor, Senhor que irá para o Céu, mas o que faz a vontade de Deus” (Mt 7,21-23)... Quando uma mulher do povo exclama que “os seios que amamentaram” Jesus são benditos, ele contesta que “mais feliz é quem houve a Vontade de Deus e a pratica” (Lc 8,21). “Quem observa os Seus Mandamentospermanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que ele permanece em nós: pelo Espirito Santo” (1Jo 3,24b).
Naturalmente que a distinção (e não a separação, pois ela não há) entre a ordem natural e a ordem sobrenatural, fica preservada. A salvação é uma graça oferecida, não pela própria existência humana, mas em virtude da Vontade de salvação de Deus, absolutamente livre, mas real, que se estende a todos os homens e a todas as mulheres, sem exceção. Com a morte de Jesus Cristo “o véu do templo se rasgou de cima abaixo” (Mc 15,37-38), demonstrando que não há mais separação entre o Santo dos Santos e o “pátio dos gentios”.
Se não, estão condenadas as crianças mortas sem batismo? E os Profetas e as Santas Mulheres do Antigo Testamento?
Compreendo que a dificuldade em ter um espirito ecumênico e liberto, misericordioso e solidário e usam estas frases isoladas, fora do contexto e da intenção do autor, leva a estes erros. No entanto, peço que tomemos cuidado, pois um dia esta prática poderá se voltar contra nós e poderemos ouvir de Jesus o “afastai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno, destinado ao demônio e aos seus anjos”... (Mt 25, 41), pois ao “bom ladrão” Jesus disse: “ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43) e perturbadoramente afirmou que “Sodoma, no dia do juízo, será tratada com menos rigor do que Cafarnaum” (cf. Mt 11,24), Sodoma, a que “será tratada com menos rigor”, nós sabemos o que é, mas e Cafarnaum? Além de ser a cidade de São Pedro (cf. Mc 1,29), é a dos “fariseus hipócritas” (cf. Lc 10,13-15). Se os nossos critérios de salvação são esses, estejamos atentos, pois não seria de nós que Jesus Cristo teria dito que “os ladrões e as prostitutas os precederão nos reino dos Céus” (Mt 21,31)?
Penso que Jesus Misericordioso está querendo abrir largamente as portas do Reino, a “Casa do Pai” mas alguns, infiéis porteiros e maus pastores, “servos inúteis” (cf. Lc 17,5-10)insistem em fechá-la... “ai de vós hipócritas, que não entram e não deixam ninguém entrar” (Mt 23,13).
“O amor vem de Deus e todo o que ama conhece a Deus e é nascido de Deus” (1Jo 4,7).
“Caríssimos, se a nossa consciência não nos censura, temos confiança diante de Deus” (1Jo 3,21).

Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!’’


Por Pe. Piber

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A lei de Deus e dos Homens


Os Mandamentos da Lei de Deus são (in)compatíveis com a nossa liberdade

Os mandamentos são a carta magna dos Cristãos de ontem, de hoje e de sempre. São as leis mais perfeitas alguma vez redigidas, e seguidas de verdade, tornar-nos-iam pessoas de facto impecáveis.
Nos dias que decorrem poderá parecer inoportuno falar deste assunto. Não o acho. Antes pelo contrário, acho que nunca foi tão necessário recordar este «decálogo» que surgiu no século XIII a.C, mas que mantém uma actualidade extraordinária, tendo como grande objectivo o de nos ajudar a estar bem com Deus, com os outros e connosco próprios.
Infelizmente, muitos são aqueles que se colocam à margem da Igreja, acusando-a de não os deixar viver segundo a sua consciência, porque muita gente foi criada em famílias com um modo de pensar totalmente diferente do que hoje vigora, e numa Igreja também já muito diferente. Há bastante tempo atrás, as coisas eram impostas e agia-se segundo o que estava escrito. Por isso, hoje, muita gente diz que vivenciar e orientar a sua vida à luz dos Mandamentos da Lei de Deus está fora de questão porque estes restringem a sua liberdade. Pois bem, este tipo de afirmações é totalmente falso, e não se pense que é fora da Igreja que somos totalmente livres, pois se Cristo é o nosso farol, é ele que ilumina as nossas consciências e liberta as nossas vidas.
Os mandamentos podem ser comparados aos sinais de trânsito, que nos indicam e ajudam a circular nas estradas de forma segura. Se nos restringirmos ainda mais, e nos focarmos apenas nos semáforos, quando o sinal vermelho está aceso, os condutores ficam por vezes impacientes por terem de parar. Contudo, acabam por perceber que essa paragem salvaguarda a sua vida e a dos outros condutores e peões. E assim acontece com Deus, que ao formular de forma negativa os mandamentos, nos chama à atenção dizendo onde está o perigo de nos afastarmos d´Ele, dos outros e de nós próprios, através dos inúmeros tipos de escravidão que existem. A grande finalidade dos mandamentos é sempre a libertação do homem, de tudo o que o corrompe.
Sem dúvida que podemos afirmar que vivendo os mandamentos, não ficamos privados de qualquer liberdade, pois quem assim pensa confunde liberdade com libertinagem. Libertinagem é fazermos o que queremos mesmo que para isso se transgridam leis. Liberdade é agirmos e optarmos pelo que devemos, pelo que está correcto. Portanto, os mandamentos ajudam-nos a viver a nossa liberdade no sentido mais pleno


Fonte de origem

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A chorar durante a missa


A chorar durante a missa





Acabei de desligar o telefone a um colega que me marcou com a sua conversa. Primeiro disse-me que não devia andar bom. Ao que eu perguntei Porquê. A sua resposta fez-se esperar, como se a estivesse a conter. Trocámos mais três ou quatro dedos de conversa antes de voltar ao assunto. Não ando bom, repetiu. Então não é que na missa de há pouco, a missa do Sagrado Coração de Jesus, a determinada altura dei por mim a chorar! Ele fez ponto de exclamação e eu também. Ao que perguntei de novo Porquê. Pensei para os meus botões que ou andaria cansado, ou teria preocupações grandes, ou tinha acontecido algo grave, ou alguém estava muito mal, ou estava frustrado com a vida de padre. Em apenas uns cinco segundos, não queiram saber o que me passou pela cabeça. Por isso, qual não foi o meu espanto quando o meu colega me diz que, durante a celebração da missa, se tinha emocionado por sentir que tem Alguém que o ama muito, e muito além do que consegue amar. Sem me deixar respirar, continuou. Eu não sou merecedor do Amor de Deus. Mas este amor é tão grande, tão grande, que ainda nos faz sentir mais pequeninos na nossa forma de amar. E já não é a primeira vez que deixo cair umas lágrimas no meio da missa ao pensar nestas coisas, ao pensar na forma como Deus me ama. Emociono-me e nem sequer sei como agradecer-Lhe o Amor que me tem. 

Fiquei quase sem reação. E ainda dizia que não andava bom. Tomara eu. Tomáramos nós, padres, que as nossas eucaristias nos fizessem sentir o mesmo. Era destes padres que as nossas eucaristias precisavam. Não a chorar. Mas a sentir verdadeiramente o amor de Deus.